Suíços enfrentam dolorosa tarefa de identificar vítimas de incêndio

Uma das piores tragédias da Suíça moderna ocorreu na madrugada de 1º de janeiro quando um incêndio devastou o bar Le Constellation, localizado na luxuosa estação de esqui de Crans-Montana, nos Alpes suíços. O fogo começou por volta de 01h30 locais durante uma festa de Ano Novo, matando cerca de 40 pessoas e ferindo 115 outras, muitas delas com queimaduras graves.

O bar, que funciona no subsolo da estação e possui capacidade para 300 pessoas, estava repleto de jovens celebrando a entrada do novo ano quando as chamas se propagaram rapidamente. Testemunhas descreveram cenas de pânico e caos, com pessoas tentando quebrar janelas para escapar e correndo pelas ruas com queimaduras severas. Um morador local destacou que a fuga teria sido um “pesadelo” para aqueles presos no interior, já que centenas de pessoas teriam de subir pela escada estreita do porão até o piso térreo.

Os relatos de testemunhas sugerem que o incêndio pode ter começado com uma vela de aniversário de tipo sinalizador acesa muito próxima ao teto de madeira do local. Funcionárias do bar estariam usando garrafas de champanhe com pequenos sinalizadores pirotécnicos para celebrar, e uma delas estava em pé nos ombros de outra quando a garrafa e as chamas ficaram a poucos centímetros do teto. A Promotoria suíça descartou, por enquanto, a hipótese de ataque ou ato criminoso, apontando para um incêndio acidental.

A resposta foi rápida: as autoridades foram acionadas poucos minutos após o incêndio ser comunicado, com a mobilização de 10 helicópteros e 40 ambulâncias. Porém, o grande número de vítimas sobrecarregou o sistema médico regional, levando ao transporte de pacientes para hospitais em todo o país e no exterior. Um especialista ouvido pela BBC apontou que o fogo pode ter se espalhado tão rapidamente devido a um fenômeno conhecido como “flashover”, que explica a velocidade devastadora do incêndio.

A identificação das vítimas tornou-se uma tarefa angustiante para as autoridades. As queimaduras sofridas pela maioria das vítimas foram tão graves que os investigadores alertaram que o processo pode levar dias ou até semanas. Especialistas estão utilizando amostras dentárias e análise de DNA para identificar os corpos, garantindo certeza absoluta antes de informar às famílias. Emanuele Galeppini, um jogador de golfe italiano de 16 anos que morava em Dubai, foi declarado como a primeira vítima de nacionalidade italiana identificada.

Enquanto isso, pais desesperados buscavam notícias de seus filhos desaparecidos. Laetitia, mãe de Arthur de 16 anos, relatou estar procurando seu filho há 30 horas, enfrentando a incerteza de não saber se ele estava em qual hospital ou necrotério, ou se estava vivo e sozinho. As embaixadas estrangeiras também se esforçavam para descobrir se seus cidadãos estavam entre os envolvidos, dado o caráter internacional da estação de esqui.

Mathias Reynard, chefe de governo do cantão de Valais, explicou que todo o trabalho de identificação precisa ser feito com extrema cautela porque “a informação é tão terrível e sensível que nada pode ser dito às famílias a menos que tenhamos 100% de certeza”. As autoridades também anunciaram investigação sobre se o bar cumpria as normas de segurança e possuía o número exigido de saídas de emergência.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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