# Crise no Ministério Público: Promotores deixam Gaeco após divergência sobre soltura de investigados em Turilândia
Dez promotores de Justiça do **Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco)** do Ministério Público do Maranhão pediram exoneração coletiva no domingo (11). O pedido ocorreu após a Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) emitir parecer favorável à soltura de todos os investigados presos na **Operação Tântalo II**, que apura esquema de corrupção com desvios de **R$ 56 milhões** em **Turilândia**, município a **157 quilômetros** de **São Luís**.
Os promotores afirmaram no documento de exoneração que o parecer da PGJ divergiu do entendimento técnico-jurídico do Gaeco. Eles destacaram que a soltura dos investigados produz impactos negativos na credibilidade das investigações complexas e na efetividade das medidas cautelares indispensáveis à repressão qualificada dessas organizações.
O parecer pela soltura foi assinado pelo procurador-geral de Justiça em exercício, **Orfileno Bezerra Neto**, e encaminhado à **3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA)**, responsável por analisar os pedidos das defesas. O documento argumentou pela liberdade provisória, mas defendeu a manutenção do afastamento do prefeito do cargo e a aplicação de medidas cautelares rigorosas para evitar novas irregularidades.
Na segunda-feira (12), a desembargadora **Graça Amorim**, da **3ª Câmara Criminal do TJ-MA**, negou a maioria dos pedidos de soltura. A decisão manteve presos o prefeito **Paulo Curió**, a primeira-dama **Eva Curió**, além de secretários, operadores financeiros e outros investigados. A desembargadora entendeu que os acusados ainda representam risco e que medidas mais leves seriam insuficientes para impedir que o grupo continuasse agindo.
Entre os argumentos da desembargadora para manter as prisões, constava o fato de que nada havia mudado desde decisões anteriores que rejeitaram a liberdade dos investigados. Alguns deles ficaram foragidos por dias após as prisões serem decretadas, o que reforçava a necessidade de mantê-los sob custódia. Como única concessão, a desembargadora determinou prisão domiciliar com monitoramento eletrônico para a pregoeira **Clementina de Jesus Pinheiro Oliveira**, diagnosticada com câncer de útero.
Em resposta à exoneração coletiva dos promotores, o procurador-geral **Danilo José de Castro Ferreira** divulgou comunicado afirmando que as decisões e pedidos feitos respeitam os limites da lei. A nota ressaltou que medidas mais gravosas, como a prisão, devem ser aplicadas apenas quando estritamente necessárias, e que foram adotadas cautelares consideradas suficientes e proporcionais ao caso. O comunicado reafirmou que todas as ações seguiram a Constituição Federal e a legislação vigente.
O procurador-geral nomeou o procurador de Justiça **Haroldo Paiva de Brito** como novo coordenador do Gaeco e da **Coordenadoria de Assuntos Estratégicos e Inteligência (CAEI)**, com novos integrantes da equipe a serem designados posteriormente.
A investigação revelou que uma organização criminosa estruturada atuava na Prefeitura e na Câmara Municipal de Turilândia para desviar recursos públicos, principalmente de áreas como Saúde e Assistência Social. Os investigados incluem o prefeito, a primeira-dama, ex-vice-prefeita, secretários, empresários, servidores públicos, os onze vereadores da cidade e um ex-vereador. O esquema funcionava por meio da chamada “venda de notas fiscais”, em que empresas contratadas emitiam documentos sem prestação de serviços, devolvendo a maior parte dos valores ao núcleo político da organização criminosa.
