O Supremo Tribunal Federal autorizou nesta quarta-feira uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal contra suspeitos do caso Banco Master, incluindo o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado Fabiano Campos Zettel, preso temporariamente no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
O relator do caso, ministro Dias Toffoli, destacou indícios de que os investigados continuam praticando crimes, como desvios de recursos do sistema financeiro para patrimônios pessoais. Na decisão, ele criticou a demora da Polícia Federal no cumprimento das medidas, que incluíam prisões, 42 mandados de busca e apreensão e bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens, originalmente previstos para 13 de janeiro. Toffoli expressou preocupação com a possibilidade de descaracterização de provas e determinou falta de empenho da autoridade policial, ordenando que todos os itens apreendidos – como carros de luxo, relógios, mais de R$ 90 mil em espécie, documentos e eletrônicos – sejam enviados à sede do STF em Brasília para preservação e perícia. A prisão temporária de Zettel, válida até as 7h desta quarta-feira, visava apreender seu celular e passaporte, com proibição de deixar o país como medida cautelar após a soltura.
A operação cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro, seus familiares, o empresário Nelson Tanure, gestor de fundos do Master, e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos. As ações ocorreram em São Paulo, incluindo a Avenida Faria Lima, e na Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. As investigações apontam para um esquema de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, com emissão de CDBs prometendo juros até 40% acima da taxa de mercado, sem lastro em liquidez real, e fraudes estimadas em até R$ 17 bilhões em títulos falsos.
O caso ganhou tração após o Banco Central rejeitar em setembro de 2025 a compra do Master pelo BRB, anunciada por R$ 2 bilhões em março, e decretar sua liquidação extrajudicial em novembro, citando incapacidade financeira e infrações normativas. Na mesma fase inicial da operação, Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foram alvos por concessão de créditos falsos. Tentativas de venda para a Fictor Holding, com aporte de R$ 3 bilhões, foram frustradas pela prisão de Vorcaro no aeroporto logo após o anúncio.
Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que ele colabora com as autoridades, atende todas as medidas judiciais com transparência e permanece à disposição para esclarecimentos, reforçando o interesse no encerramento célere do inquérito. O gabinete de Toffoli justificou o acautelamento dos bens como medida para preservar provas.
