Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, determinou nesta quarta-feira que todo o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal contra o Banco Master, seja encaminhado à Procuradoria-Geral da República para análise das provas. A decisão atende a um pedido do procurador-geral Paulo Gonet e visa permitir uma visão sistêmica dos supostos crimes de grandes proporções identificados nas investigações.

A operação, cumprida em cinco estados – São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro –, envolveu 42 mandados de busca e apreensão, a prisão temporária de Fabiano Campos Zettel, cunhado do dono do banco, Daniel Vorcaro, e o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens. Foram alvos das buscas o empresário Nelson Tanure, gestor de fundos ligados ao Master, e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos. As autoridades suspeitam que esses envolvidos desviaram recursos do sistema financeiro para enriquecer o patrimônio pessoal, por meio de gestão fraudulenta, manipulação de mercado, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Durante as ações, a Polícia Federal apreendeu carros de luxo, relógios caros, armas, documentos, celulares e mais de R$ 90 mil em espécie. Toffoli ordenou que os aparelhos eletrônicos sejam mantidos desconectados de redes de telefonia e internet para preservar a integridade até o perício. No despacho, o ministro destacou que a investigação atual revela um escopo mais amplo do que inquéritos anteriores, com indícios de fundos operados para desvio de valores e branqueamento de capitais, explorando vulnerabilidades no mercado de capitais e no sistema de regulação.

Daniel Vorcaro, preso em novembro ao tentar fugir para o exterior em seu jatinho no Aeroporto de Guarulhos, teve a prisão convertida em domiciliar. A primeira fase da Compliance Zero, iniciada em 2024, apurou fraudes como emissão de títulos de crédito falsos, que podem somar R$ 17 bilhões, incluindo concessões irregulares ligadas ao Banco de Brasília. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central após tentativas frustradas de venda.

Investigadores da Polícia Federal também analisam indícios de vazamento de informações, uma vez que Zettel foi flagrado no Aeroporto de Guarulhos, pronto para embarcar a Dubai, na véspera da operação. Toffoli criticou atrasos no cumprimento de ordens anteriores e enfatizou a necessidade de interromper a atuação da suposta organização criminosa, recuperando ativos desviados. A Procuradoria-Geral da República agora avaliará o conjunto probatório para decidir sobre eventuais denúncias.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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