Toffoli prorroga por mais 60 dias investigações sobre o caso Master

O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli prorrogou por mais 60 dias as investigações do inquérito 5026, que apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A decisão, tomada nesta sexta-feira, atende a pedido da Polícia Federal e mantém o processo em sigilo na Corte, após ele ter sido transferido da Justiça Federal do Distrito Federal em dezembro do ano passado.

As apurações da PF apontam um esquema de desvios que pode alcançar R$ 12 bilhões, envolvendo a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) sem lastro pelo Banco Master, de propriedade do empresário Daniel Vorcaro. A instituição prometia rentabilidades de até 40% acima da taxa básica de juros, retornos considerados irrealistas pelos investigadores. Há indícios de participação de dirigentes do BRB, que em março de 2025 anunciou a aquisição do Master por R$ 2 bilhões, com aval do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. O negócio foi vetado pelo Banco Central, que identificou irregularidades nos documentos apresentados para comprovar a solidez da carteira do Master, incluindo carteiras de crédito fictícias vendidas ao BRB.

Na quarta-feira, a PF deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, com 42 mandados de busca e apreensão cumpridos em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. A ação, autorizada por Toffoli, mira Vorcaro, parentes dele, o empresário Nelson Tanure e o ex-presidente da gestora Reag Investimentos, João Carlos Mansur. Foram determinados o sequestro e bloqueio de bens superiores a R$ 5,7 bilhões. Os crimes em investigação incluem organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, induzimento de investidores em erro e lavagem de dinheiro. O grupo teria explorado vulnerabilidades no mercado de capitais, usando fundos de investimento, laranjas e transações com ativos sem liquidez para desviar recursos.

Toffoli determinou ainda a intimação da Procuradoria-Geral da República para acompanhar a continuidade das investigações e autorizou que a PGR realize a extração e análise de materiais apreendidos na operação, revertendo decisão anterior. O ministro também acelerou depoimentos de investigados, concentrando-os em dois dias, e designou peritos da PF para auxiliar, em meio a tensões com a corporação por demoras em diligências. Em novembro de 2025, Vorcaro e o ex-presidente do BRB foram presos na primeira fase da operação, mas o banqueiro foi solto dias depois pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O Banco Master teve sua falência decretada em novembro, e as fraudes podem ultrapassar R$ 17 bilhões em títulos forjados.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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