Tornado no Paraná aumenta pressão por decisões concretas na COP30

Um forte tornado atingiu cidades do Paraná na sexta-feira (7), deixando um rastro de destruição, seis mortes e cerca de 750 feridos. O município mais afetado foi Rio Bonito do Iguaçu, onde cerca de 90% da cidade foi destruída e mais de mil pessoas ficaram desabrigadas. O prefeito da cidade afirmou que a situação é de emergência, com a cidade praticamente devastada e a impossibilidade de fazer um levantamento detalhado dos danos de imediato. Imagens mostram carros virados, árvores derrubadas e casas e edifícios completamente destruídos. As autoridades estimam que os ventos chegaram a 250 km/h.

Entre as vítimas está Julia Kwapis, de 14 anos, que estava na casa de uma amiga quando foi arrastada pelas rajadas de vento. Ela foi levada ao Hospital São José, em Laranjeiras do Sul, mas não resistiu aos ferimentos. A mãe de Julia relatou que a filha chegou ao hospital em estado grave, e o pai lembrou que a última mensagem trocada com a jovem foi sobre a expectativa de comemorar a Crisma, sacramento da Igreja Católica, no dia seguinte ao desastre.

O diretor da Defesa Civil do Paraná afirmou que a possibilidade de mais vítimas é alta, já que o tornado atingiu diretamente o perímetro urbano da cidade, o que torna os danos ainda mais extensos e letais. As vítimas estão sendo atendidas em hospitais da região, e pacientes em estado mais grave estão sendo transferidos para unidades maiores.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil destacam que o fenômeno é mais uma prova da necessidade de ações concretas e investimentos para lidar com os extremos climáticos. Segundo Carlos Rittl, diretor global de políticas públicas para florestas e mudanças climáticas da Wildlife Conservation Society, eventos recentes pressionam por compromissos mais efetivos nas negociações internacionais sobre clima, como a COP30. Ele ressalta que, embora o Acordo de Paris continue sendo referência para limitar o aquecimento global, é fundamental que haja mais recursos e atenção para a adaptação das cidades aos impactos cada vez mais frequentes e severos das mudanças climáticas.

O professor de meteorologia da Universidade Federal do Pará, Everaldo Barreiros, reforça que as cidades precisam de investimentos urgentes para aumentar sua capacidade de lidar com eventos extremos. Ele destaca que as projeções científicas já indicam a necessidade de preparar as cidades, o que exige recursos financeiros e estratégias locais adequadas aos desafios e vulnerabilidades de cada região.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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