Tribunal italiano adia julgamento sobre extradição de Zambelli

A Corte de Apelação de Roma adiou nesta terça-feira o julgamento sobre o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil, onde ela foi condenada a prisão pelo Supremo Tribunal Federal. O tribunal italiano justificou a decisão alegando falta de tempo suficiente para examinar as informações enviadas pelo governo brasileiro sobre a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde Zambelli cumpriria pena caso retornasse.

Zambelli, que possui cidadania italiana, está presa na Itália desde julho de 2025, na penitenciária de Rebibbia, em Roma, aguardando a resolução do processo iniciado pelo Brasil após suas condenações. Ela fugiu do país em maio daquele ano, pouco antes do trânsito em julgado da primeira sentença, passando pelos Estados Unidos antes de se instalar na Itália. A polícia italiana a localizou e prendeu em um apartamento no bairro Aurelio, atendendo a um mandado de captura internacional emitido pelo ministro Alexandre de Moraes.

As condenações no Supremo acumulam penas significativas. Na primeira, Zambelli foi sentenciada a dez anos de prisão por ser considerada a autora intelectual da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, em parceria com o hacker Walter Delgatti, que confirmou ter executado o ataque para emitir um mandado de prisão falso contra Moraes. Na segunda condenação, por nove votos a dois, ela pegou cinco anos e três meses pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, relativos ao episódio de outubro de 2022 em que perseguiu um jornalista pelas ruas de São Paulo, sacando uma pistola após provocações em um ato político.

O relator do caso na Itália, Alexandre de Moraes, enviou documentação detalhando as condições da Colmeia, destacando padrões de salubridade, segurança, assistência médica e cursos técnicos para detentas, além de afirmar que nunca houve rebeliões no local. Apesar disso, a defesa de Zambelli contesta a extradição, alegando perseguição judicial e política no Brasil, além de questionar as condições carcerárias. Os advogados pediram mais tempo para analisar os documentos em audiências anteriores e, nesta terça, solicitaram a troca de juízes, argumentando cerceamento de defesa e parcialidade.

Esse é o segundo adiamento do julgamento. Em dezembro de 2025, a corte já havia postergado a decisão a pedido da defesa, e em 18 de dezembro houve outra suspensão. O Ministério Público italiano, por meio do procurador Amelio Erminio, manifestou-se favorável à extradição em outubro. Caso a Corte de Apelação aprove, caberá recurso à Corte de Cassação e, por fim, decisão do ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio.

Zambelli também perdeu o mandato parlamentar por determinação do Supremo, mesmo após o plenário da Câmara aprovar sua permanência no cargo. A Corte entendeu que condenações em regime fechado por prazos longos tornam impossível o exercício do mandato. A próxima audiência está marcada para a primeira quinzena de fevereiro, quando o tribunal retomará a análise.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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