O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado “fechado em sua totalidade” por todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e de pessoas. A mensagem foi publicada na rede social Truth Social, criada por Trump, sem apresentar detalhes sobre alguma operação militar que justifique a medida. Autoridades americanas se disseram surpreendidas, afirmando que não havia conhecimento de qualquer ação em andamento para impor o fechamento do espaço aéreo venezuelano.
Em resposta imediata, o governo da Venezuela divulgou um comunicado oficial condenando a declaração de Trump como uma “ameaça colonialista” e um ato ilegal, arbitrário e unilateral, incompatível com o direito internacional. A chancelaria venezuelana ressaltou que a Venezuela tem soberania absoluta sobre seu espaço aéreo, conforme estabelece a Convenção de Chicago, e que não aceitará interferências ou ordens de potências estrangeiras. O texto classificou a atitude americana como parte de uma política permanente de agressão e pretensão colonialista sobre a América Latina e o Caribe, lembrando que a ação dos EUA também teve consequências humanitárias, com a suspensão dos voos de repatriação de cidadãos venezuelanos.
Esse episódio faz parte de uma escalada de tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela nos últimos meses. Os EUA posicionaram navios de guerra no Mar do Caribe sob o pretexto de combater o tráfico internacional de drogas e já abateram embarcações, causando mortes. Trump chegou a dizer, há cerca de duas semanas, que poderia iniciar conversas com o presidente Nicolás Maduro, mas sem maiores detalhes. Mais recentemente, afirmou que poderá ordenar ações terrestres contra narcotraficantes, o que fez Maduro pedir à Força Aérea venezuelana que se mantenha em alerta para defender a soberania nacional.
A situação gera preocupação internacional, já que o chamado de Trump para que as companhias aéreas evitem sobrevoar a Venezuela levou seis grandes empresas a suspenderem os voos para o país, que respondeu revogando suas licenças operacionais. A tensão afeta diretamente a segurança da aviação, a integridade territorial venezuelana e a estabilidade regional, agravando o já delicado cenário político e humanitário no país sul-americano.
