O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio ao recém-nomeado Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um governo tecnocrático palestino formado para gerir o território durante um período de transição, como parte da segunda fase do plano de paz que ele propôs para a região. Essa etapa, anunciada pelo enviado especial americano Steve Witkoff, avança do cessar-fogo iniciado em outubro de 2025 para a desmilitarização total de Gaza, a reconstrução do enclave e a instalação de uma administração supervisionada pelo Conselho de Paz, presidido pelo próprio Trump, cujos membros devem ser divulgados em breve.
O comitê, composto por 15 membros e liderado por Ali Shaath, ex-vice-ministro da Autoridade Palestina responsável pelo desenvolvimento de zonas industriais, foi estabelecido formalmente em 14 de janeiro de 2026 e realizou sua primeira reunião no Cairo dois dias depois. Entre os incumbentes estão especialistas em áreas como agricultura, educação, finanças, saúde, habitação e assuntos municipais, selecionados com apoio de mediadores como Egito, Catar e Turquia, e vetados por Israel. A formação do órgão foi autorizada pela Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU e conta com o respaldo da Autoridade Palestina.
O cessar-fogo em vigor desde outubro, aprovado por Israel e pelo Hamas, permanece frágil, marcado por acusações mútuas de violações que resultaram na morte de mais de 440 palestinos, incluindo mais de 100 crianças, e três soldados israelenses. Desafios persistem, como o fracasso em recuperar os restos mortais de um último refém israelense, atrasos na reabertura da passagem de fronteira com o Egito e a recusa do Hamas em se desarmar até o momento, apesar de ter consentido em entregar a administração a tecnocratas independentes. Witkoff enfatizou que o Hamas deve cumprir obrigações como a devolução imediata desse refém falecido, sob pena de sérias consequências, e destacou os avanços da primeira fase, que incluiu a libertação de todos os reféns vivos, a devolução de 27 dos 28 restos mortais de reféns mortos e a entrada de ajuda humanitária em larga escala.
Trump reforçou em suas redes sociais que o Conselho de Paz, apoiado pelo Alto Representante do conselho, supervisionará a transição, com o Egito, Catar e Turquia ajudando a garantir um acordo abrangente de desmilitarização do Hamas. Ele descreveu os líderes palestinos do comitê como inabalavelmente comprometidos com um futuro de paz, enquanto o plano de 20 pontos prevê ainda a retirada israelense vinculada ao desarmamento e o envio de uma força internacional de manutenção da paz. Líderes do Hamas e outras facções palestinas estão no Cairo para discutir essa fase, onde o comitê também se reúne com representantes como o ex-enviado da ONU Nickolay Mladenov, que ajudou na seleção de membros do setor privado e de ONGs.
