# Tensão entre Trump e Powell: Acusação Criminal como Instrumento de Pressão Política
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (FED), acusou o presidente Donald Trump de utilizar uma notificação de acusação criminal como forma de chantagem para forçar a redução das taxas de juros nos Estados Unidos. A denúncia levanta questões críticas sobre a independência do banco central americano diante de pressões políticas do Executivo.
Em comunicado divulgado no domingo, 11 de janeiro, Powell informou ter recebido uma notificação do Departamento de Justiça com ameaça de denúncia criminal envolvendo um projeto de reforma nos prédios do FED. O presidente do banco central afirmou categoricamente que a ação não possui relação genuína com a questão construtiva, funcionando apenas como pretexto político. “Esses são pretextos. A ameaça de acusações criminais é uma consequência do Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”, declarou Powell.
A questão central levantada por Powell transcende a reforma específica dos edifícios. Ele argumenta que está em disputa se o FED conseguirá continuar definindo as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas reais, ou se a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação. Powell também ressaltou que “ninguém, certamente não o presidente do Federal Reserve, está acima da lei”, mas enfatizou que essa ação é sem precedentes e deve ser compreendida no contexto mais amplo das ameaças contínuas do governo.
Trump negou qualquer envolvimento direto com a investigação, afirmando não saber nada sobre o caso quando questionado por jornalistas. O presidente americano comentou que Powell não é “muito bom no FED, e não é muito bom em construir prédios”, mas reforçou que não utilizaria táticas legais para pressionar o banco central. “Eu nem pensaria em fazer isso dessa forma. O que deveria pressioná-lo é o fato de as taxas estarem muito altas. Essa é a única pressão que ele tem”, afirmou Trump.
Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem exercido pressão consistente sobre Powell para que o FED implemente cortes mais significativos nas taxas de juros. O presidente chegou a ameaçar publicamente demitir Powell, cujo mandato termina em maio de 2026, quando Trump deverá indicar seu sucessor. Em diversas ocasiões, Trump chamou Powell de “idiota” e culpou o banco central por prejudicar a economia ao manter os juros em patamares elevados.
A situação gerou preocupações em relação à integridade institucional das instituições americanas. O senador republicano Thom Tillis, do Comitê Bancário do Senado, anunciou sua oposição à nomeação do substituto de Powell por Trump, argumentando que a questão legal contra Powell deve ser resolvida primeiro. Tillis afirmou que, se restava alguma dúvida sobre pressões ativas do governo para acabar com a independência do Federal Reserve, “agora não deve haver nenhuma”, adicionando que a credibilidade e independência do Departamento de Justiça também estão em questão.
