Unesco recebe dossiê e Paraíba dá mais um passo na candidatura do Forró a Patrimônio Imaterial da Humanidade

A Paraíba deu mais um passo para a valorização e a preservação do forró tradicional. Nesta quarta-feira (1), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) recebeu do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura (MinC) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) o dossiê que formaliza a candidatura das Matrizes Tradicionais do Forró a Patrimônio Imaterial da Humanidade. 

Desde 2023, o Governo da Paraíba vem conduzindo o processo em âmbito nacional, junto aos demais estados nordestinos, por meio do Consórcio Nordeste, também com o Fórum Nacional do Forró de Raiz, na articulação da sociedade civil, por meio da Associação Cultural Balaio Nordeste.

O secretário de Cultura da Paraíba, Pedro Santos, destacou o protagonismo do estado ao honrar o compromisso, enquanto instituição governamental, para salvaguardar as Matrizes Tradicionais do Forró. “A Paraíba foi decisiva nesse processo. Realizamos uma campanha internacional com eventos em Portugal e França, também estivemos em três ocasiões reunidos com a Delegação Permanente do Brasil junto à Unesco, levamos os forrozeiros para a própria Unesco, além de termos dado apoio ao Iphan na mobilização dos estados nordestinos e na produção de materiais audiovisuais que integraram o dossiê”, frisou. 

De acordo com a assessora de Assuntos Internacionais do Iphan, Juliana Izete Bezerra, a entrega marca o início formal do processo. “O dossiê contém todas as informações históricas e os elementos que demonstram porque o Forró reúne os requisitos necessários para ser declarado Patrimônio da Humanidade, com especial destaque para sua contribuição à promoção do respeito às diferenças culturais. A Unesco inicia agora uma série de processos internos de análise da candidatura, sem um prazo determinado para apreciação. A partir desta entrega, ficamos à disposição para complementar qualquer informação que seja necessária”, explicou. 

A política de articulação para candidatura do forró de raiz como patrimônio imaterial da humanidade iniciou-se oficialmente em 2024, com uma reunião com a delegada permanente do Brasil junto à Unesco, Paula Alves de Souza, na sede da Unesco, em Paris/França. Na oportunidade também houve um encontro com Fumiko Ohinata, secretária da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial. 

Em junho de 2024, houve o 1º Fórum Internacional do Forró de Raiz, em Porto/Portugal, com artistas forrozeiros do Nordeste, além de oficinas e feiras gastronômicas. Em setembro de 2025, um novo encontro na sede da Unesco, em Paris, comunicou a realização do 1º Festival Internacional do Forró de Raiz, em Lille, no norte da França, que reuniu artistas nordestinos, gestores culturais e secretários de Cultura da região. Na oportunidade, representantes dos nove estados nordestinos assinaram o Protocolo de Intenções junto ao Iphan, fortalecendo a candidatura rumo ao reconhecimento internacional do forró de raiz. Além dos estados do Nordeste, os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Distrito Federal, Acre e pelo menos 30 países apoiaram o pleito da Paraíba junto ao Iphan. 

Em novembro de 2025, houve um grande cortejo forrozeiro, em João Pessoa-PB, com artistas renomados do autêntico forró de raiz fortalecendo ainda mais a luta. Em março de 2026, o Governo da Paraíba formalizou a entrega do documento ao Iphan.

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Uma das maiores expressões da cultura popular brasileira, o Forró já havia recebido, em 2021, o reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan, por meio do registro das Matrizes Tradicionais do Forró. O reconhecimento abrange um “supergênero” musical e de dança, que inclui baião, xote, xaxado e arrasta-pé, fundamentais para a identidade cultural brasileira, com foco na preservação de suas raízes nordestinas. 

O Forró Tradicional, também conhecido como Forró de Raiz, é uma expressão cultural conformada por tradições seculares de música e dança originárias da região Nordeste do país, como baião, xote, xaxado, arrasta-pé, rojão e coco. Conjuntos musicais com sanfona, zabumba e triângulo, denominados trios de forró, além de mestres rabequeiros e bandas de pífano, animam bailes dançantes em estabelecimentos comerciais, festividades, shows e festivais em todo o país ao longo de todo o ano. Muitas canções remetem às experiências migratórias e à saudade da terra de origem. 

Gradativamente, os forrós se tornaram espaços de encontro de trabalhadores migrantes nordestinos e seus descendentes, fortalecendo vínculos e a convivência entre gerações, preservando memórias, valorizando a cultura de origem e contribuindo para o combate a estigmas negativos historicamente atribuídos a esses grupos. Ao longo dos anos, o Forró se popularizou, somando adeptos da sociedade presente nesses novos territórios, e novas gerações de forrozeiros de diferentes origens se formaram em todo o país e ao redor do mundo.

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