O advogado Wellington César Lima e Silva foi confirmado como o novo ministro da Justiça e Segurança Pública pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um encontro realizado no Palácio do Planalto nesta terça-feira, 13 de janeiro. A nomeação será publicada em edição extra do Diário Oficial da União ainda hoje, sucedendo Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo por motivos pessoais e familiares após entregar carta de demissão no dia 8.
Baiano de Salvador, com 60 anos, Wellington César construiu uma extensa carreira no Ministério Público da Bahia, onde ingressou como promotor de Justiça em 1991, por concurso público. Ele ocupou o cargo de procurador-geral de Justiça do estado por dois mandatos sucessivos, de 2010 a 2014, indicado pelo então governador Jaques Wagner – uma escolha que gerou polêmica na época, pois ele estava em terceiro na lista tríplice, mas se destacou por um perfil afeita ao diálogo e forte atuação no combate ao crime organizado. Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, possui mestrado em Direito Penal e Criminologia pela Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, e integrou créditos de doutorado na Universidade Pablo de Olavide, na Espanha, além de ter atuado como professor na área.
Essa é a segunda vez que Wellington César assume o Ministério da Justiça. Em 2016, durante o governo Dilma Rousseff, ele foi nomeado em 3 de março e chefiou a pasta por apenas 11 dias. A gestão foi interrompida por decisão do Supremo Tribunal Federal, que considerou incompatível o acúmulo do cargo com sua posição como procurador no Ministério Público baiano. Após suspensão temporária por instância judicial, ele optou por pedir exoneração do Ministério Público e permanecer no Executivo, mas acabou renunciando para retornar à Bahia.
Na atual gestão de Lula, Wellington César integrou o governo desde o início. Em janeiro de 2023, aposentou-se do Ministério Público baiano para assumir a Secretaria Especial de Assuntos Jurídicos da Presidência da República, um cargo estratégico na Casa Civil, onde assessorava diretamente o presidente em projetos de lei, medidas provisórias e análises jurídicas. Ele deixou a função em julho de 2024, por indicação do próprio Lula, para tomar posse como advogado-geral da Petrobras, posto que ocupava até o convite recente.
A escolha de Wellington César ocorre com influência da ala baiana do Planalto, com nomes como Jaques Wagner, Rui Costa e Sidônio Palmeira, e é uma opção técnica e discreta, para uma pasta que concentra responsabilidades como coordenação de polícias federais, políticas penitenciárias e diálogo com estados em segurança pública. Até a posse, que deve ocorrer nos próximos dias em cerimônia de transmissão de cargo, o ministério está sob comando interino do secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto. Com a mudança, o governo Lula registra a 15ª alteração no primeiro escalão desde 2023.
