Conceição Evaristo é a 1ª personalidade homenageada em vida pela Flup

A escritora Conceição Evaristo, uma das mais importantes vozes da literatura contemporânea brasileira, será homenageada em vida pela Festa Literária das Periferias (Flup), no Rio de Janeiro. Na 15ª edição do festival, que acontece anualmente desde 2012, Evaristo se torna a primeira personalidade viva a receber essa distinção, marcando um momento histórico para o evento e para a literatura brasileira.

Para o diretor, curador geral e idealizador da Flup, Julio Ludemir, a homenagem reconhece a “escrevivência” de Conceição Evaristo como um gesto político e poético, capaz de reencantar o mundo a partir das vozes negras e periféricas. Ludemir destaca que, ao escolher homenagear uma autora em vida, a Flup assume uma responsabilidade ainda maior, compartilhando com Evaristo todas as ideias e celebrações, pois tanto ela quanto o festival aceitaram esse desafio juntos.

A trajetória da Festa Literária das Periferias dialoga diretamente com a história de Conceição Evaristo. O crescimento e a visibilidade que o festival conquistou nos últimos anos refletem o mesmo público e o mesmo Brasil que acompanha a obra da escritora, que tem conquistado novos leitores a cada dia. Ludemir afirma que homenagear Evaristo é também homenagear o Brasil das ações afirmativas, das cotas e das políticas públicas que impulsionaram uma nova intelectualidade e uma nova classe artística, representadas por ela de maneira singular.

A escolha de Conceição Evaristo celebra não apenas sua obra, mas também sua militância e sua biografia, que dialogam profundamente com o Brasil popular, da mulher negra, e com um país que produz utopias permanentemente. Ludemir ressalta que, em nenhum outro lugar do mundo, as ações afirmativas tiveram um impacto tão amplo e rápido quanto no Brasil, e que ninguém representa melhor esse fenômeno do que Conceição Evaristo.

Ao homenagear a escritora, a Flup vê nela a voz, o corpo, a trajetória e a obra desse “Brasil novo”, que, apesar de enfrentar desafios como o aumento da homofobia, transfobia e violência contra mulheres, produz fenômenos literários únicos, como o de Conceição Evaristo. Sua obra ocupa hoje no imaginário brasileiro o mesmo lugar que Jorge Amado ocupou, tocando o coração das pessoas e permitindo que, ao ler cada vírgula de seus textos, se entre em contato imediato com a história do Brasil e com o cotidiano de sua população.

A Flup, que já homenageou grandes nomes como Machado de Assis, Carolina Maria de Jesus, Lélia Gonzalez, Pixinguinha e Aldir Blanc, agora abre espaço para celebrar, em vida, uma autora cuja trajetória é símbolo de resistência, luta e transformação cultural.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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