Liderança jovem da COP quer justiça climática no centro da conferência

Aos 26 anos, Marcele Oliveira representa a juventude na COP30 como a Campeã de Juventude, assumindo um papel fundamental nas negociações globais sobre mudanças climáticas e na articulação das vozes jovens nos processos decisórios. Selecionada entre 154 jovens ativistas por meio de um rigoroso edital promovido pela Secretaria Nacional de Juventude, a comunicadora e produtora cultural do Rio de Janeiro tem atuado como embaixadora das pautas socioambientais e climáticas desde a escolha, feita pelo presidente Lula, em abril de 2025.

A trajetória de Marcele no ativismo climático começou a partir de sua vivência na zona oeste do Rio de Janeiro, área periférica onde percebeu a desigualdade ambiental entre bairros mais ricos, com árvores e áreas verdes, e sua comunidade, marcada pelo concreto e pela ausência de espaços públicos de lazer. Essa diferença a levou a descobrir o conceito de racismo ambiental e a se engajar no movimento pelo Parque Realengo Verde, que resultou em políticas públicas para a criação de parques urbanos em comunidades periféricas do Rio.

Marcele integra a coalizão O Clima é de Mudança e é jovem negociadora pelo clima, dedicando-se a pesquisas sobre a relação entre práticas culturais e o combate aos efeitos das mudanças climáticas nas periferias, com foco em adaptação e educação. Sua atuação enfatiza a importância de trazer as demandas territoriais — como hortos comunitários, tetos verdes e espaços de convivência — para o debate internacional, conectando as realidades locais com as decisões globais.

A figura do Jovem Campeão Climático foi instituída recentemente para dar mais representatividade às juventudes nas políticas climáticas, com o objetivo de ampliar a inclusão, capacitar jovens para contribuírem efetivamente nas negociações e garantir que as vozes juvenis ecoem nas decisões da UNFCCC e nas presidências das COPs. Marcele, neste contexto, destaca a necessidade de um “mutirão pelo clima”, que consiste numa mudança de pensamento e comportamento coletivo em relação ao meio ambiente, envolvendo diversas gerações e territórios até o encerramento da presidência brasileira da COP30, marcada para 2026.

A próxima Conferência, que terá início em novembro em Belém (PA), será um momento decisivo para que Marcele e outros jovens ativistas façam a interlocução entre as vozes da juventude e os ambientes de decisão internacional, buscando que as questões climáticas e sociais das periferias e biomas como a Amazônia ocupem o centro do debate global. Sua atuação representa uma aposta no poder da juventude para direcionar políticas públicas inclusivas e eficazes diante da emergência climática.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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