A Caixa Econômica Federal, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), lançou uma nova plataforma destinada a mensurar e reduzir a emissão de carbono incorporado em empreendimentos habitacionais financiados pela instituição. A iniciativa, apresentada no evento “Habitação de baixo carbono: experiências globais e soluções locais” em São Paulo, tem como foco inicial os projetos estruturais ligados ao programa Minha Casa, Minha Vida, que representa grande parte das construções financiadas pela Caixa.
A ferramenta, denominada Benchmark Iterativo para Projetos de Baixo Carbono (BIPC), possibilita uma análise detalhada do impacto ambiental das construções levando em conta variáveis como tipologia construtiva, número de pavimentos, elementos estruturais (como vigas e pilares) e materiais utilizados. Além disso, permite a comparação entre diferentes projetos com base nas melhores práticas do mercado, incentivando a otimização do uso de materiais. O objetivo principal é ajudar projetistas e construtoras a reduzir a quantidade de materiais usados, o que resulta em diminuição direta da pegada de carbono e também na redução dos custos de produção.
O coordenador do projeto, Vanderley Moacyr John, professor da Escola Politécnica da USP, destacou que a ferramenta é uma oportunidade singular, considerando que a Caixa representa cerca de 80% do mercado imobiliário brasileiro. Dessa forma, quase todas as habitações financiadas no país poderão ser avaliadas por essa plataforma, promovendo uma significativa redução nas emissões de CO₂ com custos inferiores, o que é especialmente relevante em um país onde grande parte da população ainda não possui moradia própria.
Além da plataforma, a Caixa anunciou compromissos de sustentabilidade que incluem a ampliação da carteira de crédito verde em 50% até 2030, alcançando um saldo de R$ 1,25 trilhão, com prioridade para investimentos que favoreçam impactos ambientais e sociais positivos. O banco também se compromete a aumentar a representatividade feminina nos cargos de chefia para ao menos 36% e a garantir que um terço das posições de alta gestão seja ocupado por mulheres até 2030.
Com metas ambiciosas, a Caixa visa atingir saldo zero de emissões líquidas de carbono até 2050, abrangendo tanto emissões diretas quanto indiretas geradas pelas operações financiadas. O banco também planeja implementar um modelo baseado na economia circular para reduzir o envio de resíduos a aterros sanitários e eliminar a incineração desses resíduos, promovendo maior sustentabilidade no setor da construção civil, que hoje responde por 10% do PIB brasileiro e gera entre 20% e 25% do emprego no país.
Com essa iniciativa, a Caixa Econômica Federal une inovação tecnológica, sustentabilidade e habitação popular, buscando tornar os projetos habitacionais mais eficientes e menos poluentes, contribuindo para os compromissos climáticos do Brasil e para a melhoria da qualidade de vida da população.
