Governador democrata da Califórnia critica ausência dos EUA na COP30

# Newsom reforça liderança climática da Califórnia em Belém e critica ausência dos EUA

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, reafirmou nesta terça-feira (11) sua posição como principal representante americano na COP30, intensificando suas críticas à ausência do presidente Donald Trump e de qualquer delegação de alto nível dos Estados Unidos na conferência climática realizada em Belém. Em encontro com o governador do Pará, Helder Barbalho, Newsom assinou memorandos de entendimento para ampliar a cooperação internacional em pesquisa e inovação em gestão sustentável, bioeconomia e combate a incêndios.

“Sei que meu país e sua liderança em Washington, D.C. não estão aqui. Por isso, sinto-me particularmente honrado pela generosidade do governador em nos receber, assinar este memorando de entendimento e desenvolver uma parceria e um relacionamento mais formais entre nossos dois estados e nossas nações”, afirmou o governador democrata durante a assinatura dos documentos.

A visita de Newsom à conferência marca sua primeira participação em uma COP e posiciona a Califórnia como a força política ambiental americana no evento. Com uma economia que equivaleria à quinta ou sexta maior do mundo se fosse um país independente, o estado reafirma seu compromisso com a transição energética limpa enquanto o governo federal Trump adota uma postura avessa às políticas climáticas. Newsom aproveitou a ocasião para comunicar que a Califórnia representa um modelo alternativo de desenvolvimento econômico baseado em energia renovável e sustentabilidade.

“Estamos do outro lado do debate e o estado está prosperando. E por isso viemos aqui para comunicar essa mensagem. Donald Trump está duplicando a sua estupidez. Quero dizer, ele está duplicando a aposta no carvão em Ohio. Estamos aqui para falar de crescimento e energia renovável. Estamos falando sobre biodiversidade a partir de uma mentalidade sustentável”, declarou Newsom durante o encontro em Belém.

As críticas do governador californiano ganharam intensidade após sua presença em São Paulo no dia anterior, quando participou de um debate sobre emergência climática organizado pelo Milken Institute. Na ocasião, Newsom descreveu a ausência de representantes da Casa Branca como um “desrespeito” ao Brasil, enfatizando que a falta de qualquer oficial americano em Belém representava uma reversão completa do progresso alcançado durante a administração Biden. O governador apontou que enquanto os Estados Unidos recusam-se a participar, a China e a Índia, responsáveis por emissões significativas de gases do efeito estufa, mantiveram delegações de alto nível presentes na conferência.

Newsom questionou publicamente a política comercial de Trump, criticando os planos de imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. “Estamos em Brasil — um de nossos grandes parceiros comerciais, uma das grandes democracias do mundo. Casa de todos os metais de terra rara que precisamos. Este é o país com o qual deveríamos nos engajar, não bater com tarifas de 50%”, disse o governador durante o evento em São Paulo.

Em setembro, Trump anunciou um plano para incentivar a mineração e o uso do carvão como fonte de energia nos Estados Unidos, uma posição diametralmente oposta ao compromisso com fontes renováveis defendido pela Califórnia e reafirmado por Newsom em Belém. O carvão permanece como o maior contribuinte para as mudanças climáticas globais, e sua expansão contradiz as metas de redução de emissões discutidas na COP30.

Questionado sobre a possibilidade de um futuro presidente democrata restaurar o compromisso americano com o Acordo de Paris, Newsom respondeu sem hesitação que tal retorno seria não apenas possível, mas uma “obrigação moral e um imperativo econômico”. O governador criticou enfaticamente o fato de Trump ter retirado os Estados Unidos do acordo em duas ocasiões distintas, durante seus períodos na presidência. “É uma abominação que ele tenha se afastado do Acordo duas vezes, e não apenas uma”, afirmou.

O memorando de entendimento assinado com o governo do Pará representa um comprometimento concreto com soluções de baixo carbono e desenvolvimento inclusivo. O acordo prevê o fortalecimento da prevenção e resposta a incêndios florestais através da troca de experiências, tecnologia e inteligência aplicada. A cooperação abrange monitoramento da saúde das florestas, identificação de áreas suscetíveis ao fogo, compartilhamento de conhecimento sobre redução de riscos e desenvolvimento conjunto de estratégias de queima controlada, além de apoio a ações comunitárias de mitigação e educação pública.

A assinatura ocorreu durante visita de Newsom ao Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, espaço que reúne pesquisa científica, startups, empreendedores, povos indígenas e comunidades tradicionais em torno de novos modelos de negócios baseados na floresta viva. O governador do Pará utilizou a oportunidade para apresentar o conceito do Vale Bioamazônico, iniciativa que busca conectar a agenda de biodiversidade da floresta amazônica com a tecnologia e inovação do Vale do Silício.

“As agendas dos estados da Califórnia e do Pará permitem que, de forma bilateral, possamos construir suportes que viabilizem a conexão do conhecimento, da tecnologia e da inovação, acreditando na revolução que a biodiversidade amazônica pode representar para nossa região”, afirmou Barbalho durante o evento.

A presença de Newsom em Belém consolida a Califórnia como protagonista da política climática americana em nível subnacional, preenchendo o vácuo deixado pela ausência federal. Enquanto Trump dorme, conforme afirmou em tom crítico, a Califórnia segue na liderança da transição energética global, atraindo investimentos internacionais e estabelecendo parcerias estratégicas com regiões-chave como a Amazônia. A visita do governador democrata à COP30 representa tanto um desafio político ao governo Trump quanto uma afirmação de que o futuro econômico americano passa pela sustentabilidade e pela inovação em energia limpa.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

Leia mais