A mineradora inglesa BHP foi condenada pelo Tribunal Superior de Justiça de Londres pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), desastre que resultou na morte de 19 pessoas e na contaminação de rios e municípios vizinhos. A decisão judicial considerou que o risco do colapso da barragem era previsível, destacando sinais evidentes de rejeitos saturados, infiltrações e fissuras. Segundo o tribunal, foi imprudente continuar a elevar a estrutura da barragem sem uma análise adequada da estabilidade, mesmo quando testes indicaram fatores inadequados de segurança.
A BHP, acionista da Samarco, empresa responsável pela barragem, informou que recorrerá da sentença e ressaltou o compromisso com o processo de reparação no Brasil, incluindo a implementação do Novo Acordo do Rio Doce. A mineradora destacou que já destinou cerca de R$ 70 bilhões para indenizações a moradores da Bacia do Rio Doce e entidades públicas, beneficiando mais de 610 mil pessoas, e que a decisão da corte inglesa confirmou a validade dos acordos previamente firmados, o que pode diminuir o valor da ação em curso.
O caso ainda terá desdobramentos: uma nova audiência está prevista para o primeiro semestre de 2027, na qual será avaliada a dimensão dos danos causados pelo rompimento, seguida por uma terceira etapa em 2028, que deverá definir as indenizações individualizadas às vítimas.
A tragédia ocorreu há dez anos e permanece como um dos maiores desastres ambientais do Brasil, com impactos sociais, econômicos e ambientais profundos na região afetada.
