O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o fim do uso dos combustíveis fósseis não deve ser imposto com uma data fixa, mas sim resultado de uma discussão ampla com todos os setores envolvidos. Essa posicionamento foi destacado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA) e presidida pelo Brasil. Lula ressaltou a complexidade do tema, especialmente porque o país é grande produtor de petróleo, o que gera resistência interna e externa a medidas que visem o abandono rápido dos combustíveis fósseis.
Apesar das negociações intensas, o acordo final da COP30, conhecido como Acordo de Belém, optou por não incluir diretamente um cronograma para a transição energética, deixando esse debate para um texto paralelo apresentado pelo Brasil. Para Lula, a importância está em iniciar um diálogo que envolva especialistas, empresas petrolíferas e outros interessados para planejar os passos necessários para essa transição. Ele reconheceu que o petróleo continuará tendo papel importante, não somente para combustíveis, mas para a indústria petroquímica.
O presidente também destacou que o Brasil já tem avanços significativos, como a mistura de biodiesel na gasolina e no diesel, e que os recursos obtidos com a exploração do petróleo devem ser investidos na transição energética do país, fomentando uma matriz energética mais diversificada e sustentável. Segundo ele, a Terra não suporta mais o modelo de desenvolvimento baseado no uso intensivo dos combustíveis fósseis, responsáveis por mais de 80% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Na visão de Lula, a COP30 foi um sucesso por ter mantido o multilateralismo vivo e por ter construído um documento único, mesmo diante das dificuldades. Ele reafirmou o papel crucial do G20, cujo encontro ele participou em Joanesburgo, como fórum essencial para decisões multilaterais em economia e clima. Lula minimizou a ausência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula, enfatizando que as decisões tomadas pelo grupo devem ser implementadas para evitar desestimular o processo.
Além disso, o presidente brasileiro expressou preocupação com o aumento do aparato militar dos Estados Unidos no Mar do Caribe, na costa da Venezuela, e afirmou que pretende dialogar com Trump sobre o tema, reforçando que a América do Sul deve permanecer uma zona de paz e evitando repetir os erros de conflitos como o da Ucrânia.
Após a agenda na África do Sul, Lula seguiu para Moçambique, onde continuará sua agenda de trabalho. Sua postura na COP30, de buscar um caminho gradual e negociado para a superação dos combustíveis fósseis, demonstra a complexidade de conciliar as demandas climáticas globais com a realidade econômica de países produtores, como o Brasil, que buscam um equilíbrio entre desenvolvimento, transição energética e justiça climática.
