Médicos que acompanham o ex-presidente Jair Bolsonaro atualizaram seu estado de saúde e confirmaram a alta hospitalar para a manhã desta quinta-feira, 1º de janeiro, desde que não surjam novas complicações. Internado no Hospital DF Star, em Brasília, desde a véspera de Natal, ele passará por uma avaliação de rotina antes de ser comunicado à Superintendência da Polícia Federal, para onde retornará à cela onde cumpre pena de 27 anos de prisão pela condenação no processo da trama golpista.
O cardiologista Brasil Caiado, da equipe médica, afirmou que a alta está programada, salvo intercorrências, e destacou que, após a liberação, a remoção ficará a cargo da PF. Bolsonaro foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a deixar temporariamente a prisão para os procedimentos. No dia 25 de dezembro, ele passou por cirurgia de hérnia inguinal bilateral, sem complicações no pós-operatório.
Durante a internação, o foco se voltou para uma crise persistente de soluços, que o acomete há meses e agrava seu estado psicológico. Para tentar contê-la, foram realizados ao menos três bloqueios cirúrgicos do nervo frênico, que controla o diafragma. O cirurgião Claudio Birolini explicou que os procedimentos reduziram a intensidade dos soluços, mas não os eliminaram, indicando origem no sistema nervoso central, acima do pescoço. O tratamento prosseguirá com medicamentos, fonoaudiologia, recrutamento diafragmático e terapias alternativas, sem intervenções definitivas no nervo.
Caiado observou que os episódios de soluços deixam Bolsonaro abatido, com oscilações emocionais significativas, chegando a estados deprimidos. A pedido do próprio paciente, foi introduzido um medicamento antidepressivo, com expectativa de efeito em poucos dias. Um boletim médico recente confirmou melhora nos soluços, mas persistência de esofagite e gastrite, diagnosticadas em endoscopia digestiva alta. Ele segue em tratamento para refluxo gastroesofágico, fisioterapia respiratória e medidas contra trombose.
Outro problema identificado é a apneia obstrutiva do sono severa, com cerca de 50 episódios por hora. Bolsonaro adaptou-se bem ao aparelho CPAP, que mantém as vias aéreas abertas durante o sono, e o levará para a cela, onde usará continuamente. Birolini relatou que ele dormiu melhor nas duas noites de uso.
Após a alta, o autocuidado caberá ao ex-presidente na cela de 12 metros quadrados na PF, reformada com cama, armários, mesa, TV, frigobar, ar-condicionado, janela e banheiro privativo. Os médicos elogiaram sua disciplina: ele segue orientações de alimentação fracionada, evita deitar após comer para prevenir refluxo e colabora com as recomendações. A equipe poderá visitá-lo sempre que necessário. A defesa protocolou novo pedido de prisão domiciliar ao STF, alegando riscos à saúde no regime carcerário, mas a análise cabe ao ministro Moraes, que negou solicitações anteriores.
