África do Sul solicita que Conselho da ONU se reúna com urgência

O governo da África do Sul solicitou ao Conselho de Segurança da ONU uma reunião urgente para discutir o ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Em comunicado oficial, Pretória classificou a operação como uma clara violação da Carta das Nações Unidas, que proíbe os Estados-membros de recorrer à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de outro país soberano.

A nota do governo sul-africano enfatiza que a Carta da ONU também veta intervenções militares externas em assuntos internos de nações soberanas. “A história tem demonstrado repetidamente que invasões militares contra Estados soberanos geram apenas instabilidade e aprofundamento das crises. O uso unilateral e ilegal da força dessa natureza mina a estabilidade da ordem internacional e o princípio da igualdade entre as nações”, afirma o texto, destacando os riscos de desestabilização global.

A operação militar americana ocorreu na madrugada de 3 de janeiro de 2026, com bombardeios contra instalações em Caracas, Aragua, La Guaira e Miranda, seguidos de uma incursão de forças especiais que capturaram Maduro. Horas depois, o presidente Donald Trump confirmou a ação em suas redes sociais, afirmando que os líderes venezuelanos foram transferidos para fora do país e que os EUA “gobernariam” a nação temporariamente até uma transição de poder. Trump descreveu o ataque como “letal” e descartou, por ora, uma segunda onda de bombardeios, embora tenha alertado que as forças americanas estão preparadas para isso.

A Venezuela reagiu decretando estado de emergência nacional e mobilizando tropas terrestres, aéreas, navais e misseís para defesa. O chanceler Yván Gil pediu reunião urgente no Conselho de Segurança da ONU, denunciando uma “agressão criminosa” que atingiu alvos civis e militares. Autoridades chavistas, como o ministro do Interior, apelaram à população para manter a calma e não auxiliar o “inimigo invasor”.

Os EUA justificam a intervenção com acusações de que Maduro lidera o cartel de narcotráfico “Cartel dos Sóis”, sem apresentar provas concretas, ecoando a captura de Manuel Noriega no Panamá em 1989. Críticos apontam interesses geopolíticos, como afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia, e controlar as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Trump mencionou explicitamente uma “forte participação” de empresas americanas na indústria petrolífera venezuelana.

Especialistas questionam a existência do cartel e veem na ação uma escalada de tensões no Caribe, após meses de exercícios militares venezuelanos e alertas aéreos emitidos pelos EUA. A operação, batizada de “Resolução Absoluta”, envolveu mais de 150 aeronaves, incluindo caças F-22, F-35 e bombardeiros, em uma ação planejada há meses. O paradeiro exato de Maduro permanece desconhecido, enquanto a vice-presidente Delcy Rodríguez assume interinamente, sob pressão americana para negociações.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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