Em comunicado, Brasil e mais cinco países condenam ataque à Venezuela

Em um comunicado conjunto divulgado neste domingo, os governos do Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai condenaram veementemente o ataque militar orquestrado pelos Estados Unidos contra a Venezuela. Os seis países expressaram profunda preocupação com as ações conduzidas pelo presidente norte-americano Donald Trump, que resultaram na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados para Nova York.

A nota destaca a gravidade das explosões registradas na madrugada de sábado em bairros de Caracas e em estados vizinhos como Miranda, Aragua e La Guaira. Aviões sobrevoaram a capital a baixa altitude, atingindo alvos civis e militares, segundo o governo de Caracas, que decretou estado de exceção e ativou planos de defesa nacional. Trump anunciou pessoalmente a operação, descrevendo-a como um “ataque em grande escala” para capturar Maduro, retirado do país por via aérea com o apoio de forças especiais como a Delta Force e helicópteros Chinook, sem baixas americanas reportadas.

Os signatários do comunicado repudiaram as ações unilaterais, que violam princípios do direito internacional, como a proibição do uso da força e o respeito à soberania e integridade territorial, conforme a Carta das Nações Unidas. Eles classificaram o episódio como um precedente extremamente perigoso para a paz e segurança regional, com risco à população civil, e defenderam que a crise venezuelana seja resolvida apenas por meios pacíficos, diálogo e negociação, sem interferências externas.

O documento reafirma a América Latina e o Caribe como zona de paz, baseada no respeito mútuo e na não intervenção, e apela por um processo político inclusivo liderado pelos venezuelanos para uma solução democrática sustentável. Os países pedem ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e a mecanismos multilaterais que ajudem a reduzir tensões e preservar a estabilidade. Manifestam ainda preocupação com qualquer tentativa de controle externo sobre recursos naturais ou estratégicos da Venezuela, como suas vastas reservas de petróleo, as maiores comprovadas no planeta.

O ataque evoca intervenções passadas dos EUA na região, como a invasão do Panamá em 1989, quando o presidente Manuel Noriega foi sequestrado por acusações de narcotráfico. Trump acusa Maduro de chefiar o suposto “Cartel de los Soles”, uma organização de narcoterrorismo ligada a militares corruptos, oferecendo US$ 50 milhões por sua captura, embora especialistas questionem a existência formal do grupo e a falta de provas apresentadas. Críticos veem na operação uma jogada geopolítica para afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia e garantir influência sobre seus recursos energéticos.

Trump afirmou que os EUA administrarão a Venezuela até a conclusão de uma transição de governo, reafirmando o poder americano no continente. O governo venezuelano denunciou a ação como “agressão imperialista” e prometeu recorrer à ONU. Autoridades americanas, como o secretário de Estado Marco Rubio, indicam que não haverá mais ataques enquanto Maduro estiver sob custódia, e ele enfrentará processo penal nos EUA por narcoterrorismo e conspiração. A operação, batizada de “Lança do Sul”, seguiu meses de escalada, com reforço de 15 mil militares, porta-aviões e bloqueios a petroleiros.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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