Nicolás Maduro se declarou inocente nesta segunda-feira (5) durante sua primeira audiência no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, em Nova York, após ser capturado pela operação militar dos Estados Unidos no sábado (3) em Caracas. O presidente venezuelano, acompanhado de sua esposa Cilia Flores, compareceu perante o juiz Alvin Hellerstein e negou envolvimento com narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e posse de armamento pesado[1][2][5].
“Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente”, afirmou Maduro durante a audiência que durou pouco mais de meia hora[5]. O presidente também qualificou a si mesmo como um “prisioneiro de guerra” e reafirmou sua condição de líder estatal, declarando “Ainda sou presidente do meu país”[5]. Tanto Maduro quanto Flores foram oficialmente notificados das acusações que enfrentam, acusações estas que alegam que membros do governo venezuelano se valeram de seus cargos para favorecer o transporte de milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos[1].
A defesa de Maduro, representada pelos advogados Barry J. Pollack e David Wikstrom, questionou a legalidade da captura, classificando-a como uma “abdução militar” realizada sem autorização do Congresso americano ou do Conselho de Segurança das Nações Unidas[3]. Pollack argumentou que Maduro, como chefe de um Estado soberano, teria direito às prerrogativas associadas a esse status e indicou que espera uma disputa judicial “volumosa” na fase prévia ao julgamento[3].
As acusações contra Maduro incluem conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, além de conspiração para possuir esse tipo de armamento[2]. De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, as denúncias afirmam que Maduro e outros líderes venezuelanos, ao longo de mais de 25 anos, abusaram de seus cargos de confiança pública e corromperam instituições para importar toneladas de cocaína aos Estados Unidos[2]. A pena máxima prevista em caso de condenação é prisão perpétua[2].
Maduro e sua esposa foram mantidos presos após a audiência no Centro Metropolitano de Detenção em Manhattan[3]. Embora a defesa tenha reservado o direito de apresentar um pedido de fiança posteriormente, não solicitou a libertação neste momento[3]. Cilia Flores também enfrentou questionamentos sobre sua saúde durante a sessão, com seu advogado Mark Donnelly solicitando que ela seja submetida a exames de raio-x e avaliação médica completa, mencionando possíveis fraturas ou hematomas nas costelas[3].
O governo venezuelano nega as acusações, com Maduro alegando que o verdadeiro objetivo dos Estados Unidos é se apoderar dos recursos minerais estratégicos da Venezuela, incluindo suas maiores reservas de petróleo do mundo, além de gás e ouro[1]. Especialistas também questionam a falta de provas quanto ao envolvimento de lideranças venezuelanas com o tráfico de drogas, destacando que a Venezuela não é um produtor de cocaína[1].
O juiz Alvin Hellerstein agendou uma segunda audiência para 17 de março de 2026, quando o processo deverá prosseguir[3]. Ambos permanecerão sob custódia federal nos EUA até essa data[2], enquanto a comunidade internacional continua debatendo as implicações políticas e jurídicas da operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano[5].
