Protesto em SP pede soltura de Maduro e autonomia da Venezuela

Sindicatos, movimentos sociais e estudantes realizaram uma manifestação na tarde desta segunda-feira na capital paulista, em frente ao Consulado dos Estados Unidos, para exigir a libertação imediata de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, capturados pelos Estados Unidos em um ataque ocorrido no sábado.

Cerca de 200 pessoas participaram do ato, gritando palavras de ordem como “Maduro livre” e “Fora ianques da América Latina”. Alguns manifestantes queimaram a bandeira dos Estados Unidos em sinal de protesto. Os participantes defenderam a soberania venezuelana, a autodeterminação dos povos e a solidariedade ao governo e ao povo do país vizinho, condenando o que chamaram de agressão imperialista e ingerência norte-americana.

A estudante de Gestão de Políticas Públicas da USP, Bianca Mondeja, da direção da União Nacional dos Estudantes (UNE), destacou a presença para demonstrar solidariedade ao povo venezuelano e repudiar os ataques imperialistas, especialmente dos Estados Unidos, que impõem dominação aos países periféricos do capitalismo. Para a UNE, a capacidade de autodeterminação de um povo é inegociável.

A professora Luana Bife, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), classificou a ação dos EUA como uma ingerência que desestabiliza social e economicamente a Venezuela. Ela criticou as declarações de Donald Trump, que um dia após o ataque reafirmou a possibilidade de avanços militares em outros países, e reforçou a defesa da autodeterminação dos povos.

Gilmar Mauro, da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), exigiu a soltura imediata de Maduro, afirmando que o sequestro ameaça as democracias no continente e no mundo, especialmente após as declarações diretas de Trump. O MST tem cerca de 60 membros na Venezuela, que relatam uma retomada de mobilizações populares no país, com indignação patriótica aflorando até entre setores de direita venezuelanos e nos próprios Estados Unidos.

O ataque dos EUA, descrito como de grande escala, ocorreu na madrugada de sábado com bombardeios a sistemas de defesa aérea venezuelanos, neutralizados por 150 caças e bombardeiros. Helicópteros transportaram tropas a Caracas para capturar Maduro e sua esposa. Horas depois, Trump anunciou em coletiva que os Estados Unidos governarão a Venezuela até uma transição segura de poder.

Em audiência de custódia no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, em Nova York, Maduro negou acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e uso de armamento pesado, se declarando inocente, um “prisioneiro de guerra” e um “homem decente”.

No Conselho de Segurança da ONU, reunido em sessão de emergência, China e Rússia condenaram veementemente o ataque e pediram a libertação imediata do casal. Os EUA negaram guerra ou ocupação, com o embaixador Michael Waltz afirmando que a operação teve caráter jurídico, não militar. O embaixador brasileiro Sérgio França Danese alertou que a ação ameaça a paz na América do Sul.

Na Venezuela, Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente, assumiu a presidência interina por 90 dias renováveis, indicada pelo Supremo Tribunal e reconhecida pelo Exército e pela Assembleia Nacional. Primeira mulher a liderar o Executivo no país, ela exigiu a libertação de Maduro, “o único presidente da Venezuela”, e condenou a operação militar dos EUA, afirmando que o país não será colônia norte-americana.

O protesto em São Paulo integra uma onda de manifestações convocadas por MST, UNE, CUT e outros grupos em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, além de repúdios de entidades como o Fórum das Seis, que denuncia a violação da soberania e o roubo de recursos como petróleo e minerais venezuelanos.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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