A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil enviou uma carta à presidência da Conferência Episcopal Venezuelana, expressando solidariedade ao povo do país vizinho em meio ao contexto de tensões, sofrimentos e incertezas agravados por um recente ataque militar conduzido pelos Estados Unidos. No documento, divulgado nas redes sociais, os bispos brasileiros unem-se espiritualmente às orações e iniciativas pastorais dos colegas venezuelanos, manifestando proximidade fraterna às vítimas da violência, aos feridos e às famílias enlutadas.
Como pastores da Igreja na América Latina, os líderes da CNBB partilham a dor do povo que sofre e renovam a esperança na força do Evangelho da paz desarmada e desarmante. A carta enfatiza que apenas o diálogo sincero, a justiça, o respeito à dignidade da pessoa humana e à soberania das nações podem promover o bem comum, fortalecer a democracia e construir uma convivência social marcada pela reconciliação e pela paz duradoura. O texto conclui com um apelo ao Espírito Santo para sustentar a missão profética da Igreja na Venezuela, concedendo serenidade, sabedoria e fortaleza a todos e guiando o povo pelos caminhos da unidade e da esperança.
O gesto da CNBB ocorre após explosões registradas no último sábado em bairros de Caracas, capital venezuelana, durante um ataque militar orquestrado pelos Estados Unidos. Nesse episódio, forças de elite norte-americanas capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, levando-os para Nova York. A ação evoca intervenções passadas dos EUA na América Latina, como a invasão do Panamá em 1989, quando o presidente Manuel Noriega foi sequestrado sob acusação de narcotráfico.
Assim como no caso de Noriega, Washington acusa Maduro de liderar um suposto cartel de drogas chamado Cartel de Los Soles, sem apresentar provas concretas à disposição pública. Especialistas em tráfico internacional de entorpecentes questionam a existência real dessa organização. O governo de Donald Trump havia oferecido uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à prisão do líder venezuelano. Críticos veem na operação uma estratégia geopolítica para afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia, além de ampliar o controle sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.
