Brasil diz na OEA que sequestro de Maduro é “afronta gravíssima”

Na reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos, realizada nesta terça-feira em Washington, o embaixador do Brasil, Benoni Belli, classificou como gravíssima a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que incluiu bombardeios e o sequestro do presidente Nicolás Maduro no último sábado. Segundo o diplomata, esses atos ultrapassam uma linha inaceitável, representam uma afronta à soberania venezuelana e criam um precedente perigoso para a comunidade internacional, evocando tempos em que a lei do mais forte prevalecia sobre o multilateralismo.

Belli enfatizou que não se pode aceitar o argumento de que os fins justificam os meios, pois isso conferiria aos mais poderosos o direito de ditar o que é justo, ignorando soberanias nacionais e o direito internacional. Ele defendeu que a autodeterminação dos povos depende de instituições multilaterais sólidas, alertando para o risco de um mundo marcado pela violência e pela erosão do multilateralismo. A posição brasileira foi reiterada na véspera, durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, pelo embaixador Sérgio Danese, que também rejeitou a lógica de que intervenções armadas unilaterais possam ser legitimadas por supostos objetivos nobres.

A operação americana, ocorrida no sábado, resultou na captura à força de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, com a morte de integrantes das forças de segurança venezuelanas e explosões em Caracas. O casal foi levado para Nova York, onde enfrenta acusações de ligações com o tráfico internacional de drogas, narcoterrorismo e uso de armamento pesado. Na segunda-feira, durante audiência de custódia no Tribunal Federal de Manhattan, Maduro se declarou inocente, qualificando-se como um prisioneiro de guerra e um homem decente. O juiz determinou prisão preventiva sem fiança para ambos, que estão detidos em um presídio federal no Brooklyn, conhecido por abrigar figuras notórias do crime organizado. Uma nova audiência está marcada para 17 de março, com julgamento previsto para dali a um ano.

A porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, criticou a incursão como violação ao direito internacional e à Carta da ONU, afirmando que ela fere a soberania venezuelana e torna o mundo menos seguro, agravando a crise humanitária que afeta quase oito milhões de pessoas no país. Rússia e China, aliados de Maduro, ecoaram as condenações na OEA, enquanto os Estados Unidos defenderam a ação como cumprimento da lei contra um fugitivo da Justiça. O secretário-geral da OEA, Albert Ramchand Ramdin, acompanhou os eventos de perto, defendendo o respeito ao direito internacional e soluções pacíficas em benefício do povo venezuelano. Diplomatas brasileiros esperam que a reunião não resulte em documentos, aguardando novos elementos para possíveis mudanças de posicionamento.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

Leia mais