Governo projeta superávit comercial de até US$ 90 bilhões em 2026

O Brasil encerrou 2025 com um superávit comercial de US$ 68,3 bilhões, resultado que superou as expectativas do mercado, estimadas em cerca de US$ 65 bilhões, e marcou o terceiro melhor desempenho da série histórica, atrás apenas de 2023 e 2024. Apesar do valor elevado, houve uma queda de 7,9% em relação a 2024, quando o saldo atingiu US$ 74,2 bilhões, impulsionado por exportações recorde de US$ 348,7 bilhões e importações de US$ 280,4 bilhões.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulgou nesta terça-feira as projeções para 2026, prevendo um superávit entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, o que representa uma recuperação em relação ao ano anterior. As exportações são estimadas em uma faixa de US$ 340 bilhões a US$ 380 bilhões, enquanto as importações devem ficar entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões, elevando a corrente de comércio – soma de exportações e importações – para algo entre US$ 610 bilhões e US$ 670 bilhões.

O bom desempenho de 2025 foi destacado pelo recorde em dezembro, com superávit de US$ 9,633 bilhões, exportações de US$ 31,038 bilhões e importações de US$ 21,405 bilhões. As vendas ao exterior cresceram com mais força na agropecuária, com alta de 7,1%, seguida pela indústria de transformação, com 3,8%, enquanto a indústria extrativa registrou queda de 0,7%. A China consolidou-se como principal destino, respondendo por 28,7% das exportações, com crescimento de 6% nas vendas para o país asiático.

Diretores do ministério apontam que o piso projetado para 2026 já supera o resultado de 2025, mesmo diante de desafios como as tarifas impostas pelos Estados Unidos em agosto do ano passado, que chegaram a 50% sobre diversos produtos brasileiros. Houve um pico de embarques para os EUA no fim de 2025, especialmente de carne bovina, com aumento de 44,4%, antes da entrada em vigor das medidas. Para este ano, espera-se uma queda nas exportações ao mercado americano no primeiro semestre, com exportadores absorvendo parte do impacto por meio de ajustes de preços e margens.

As projeções oficiais são atualizadas trimestralmente, e novas estimativas mais detalhadas para 2026 serão apresentadas em abril. O otimismo do governo também se reflete em avanços como o acordo Mercosul-União Europeia, descrito como bem encaminhado pelo vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, em um contexto de instabilidade geopolítica global.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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