O governo federal anunciou nesta quarta-feira a construção do primeiro hospital público inteligente do Brasil, na cidade de São Paulo, com recursos de um empréstimo de R$ 1,7 bilhão contratado junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco dos Brics. A cerimônia de assinatura do contrato ocorreu no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da presidenta do NDB, Dilma Rousseff.
A nova unidade, vinculada ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), será um Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente e servirá como referência nacional em assistência à saúde totalmente digital. Com foco em medicina de alta precisão, o hospital contará com inteligência artificial para triagem automatizada de pacientes, monitoramento contínuo, previsão de agravamentos e decisões clínicas otimizadas. Entre as inovações, estão agendamento baseado em IA, ambulâncias com tecnologia 5G para transmissão em tempo real de dados vitais, cirurgias robóticas e análise de dados para operações hospitalares mais eficientes.
A estrutura prevê 250 leitos de emergência, 350 de terapia intensiva (UTI) conectados a uma rede nacional de 14 UTIs automatizadas e interligadas em 13 estados das cinco regiões do país, além de 200 leitos de enfermaria e 25 salas cirúrgicas. A capacidade estimada é de atender até 200 mil pacientes por ano em emergências, com redução superior a cinco vezes no tempo de espera por atendimento especializado em situações de urgência. Os primeiros componentes da rede devem entrar em operação a partir de 2026, com o hospital completo previsto para 2027 ou 2029, seguindo padrões internacionais de sustentabilidade, como certificação verde e controle de consumo de energia, água e resíduos.
O projeto integra a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS), parte do programa “Agora Tem Especialistas”, e visa modernizar hospitais de excelência públicos, oferecendo gratuitamente tecnologias equivalentes às de unidades privadas de ponta. Durante o evento, o presidente Lula destacou a resgate da imagem positiva do SUS, após anos de desgaste na pandemia de covid-19, quando o sistema foi essencial, mas frequentemente associado apenas a problemas. “O SUS era tratado de forma muito pejorativa, só se mostrava desgraça no SUS”, criticou, enfatizando o salto tecnológico para equipará-lo aos melhores hospitais privados.
O ministro Padilha reforçou que os hospitais inteligentes usarão IA para acelerar diagnósticos, procedimentos a distância e integração de dados, ampliando o acesso a serviços especializados em todo o país. Dilma Rousseff celebrou o financiamento, viabilizado em tempo recorde de seis meses, com prazo de pagamento de 30 anos e parcerias tecnológicas com China e Índia. “Esse contrato vai muito além do investimento em estrutura hospitalar. Ele faz parte do compromisso do banco em promover o desenvolvimento, que significa hoje o acesso à tecnologia”, afirmou ela, prevendo que o modelo inspire outros projetos dos Brics na América Latina.
Além do hospital principal, o anúncio incluiu aportes adicionais, como R$ 1,2 bilhão para reestruturação de hospitais federais no Rio de Janeiro e R$ 1,1 bilhão para equipamentos e custeio de oito unidades de excelência do SUS. O empréstimo, equivalente a US$ 320 milhões, foi autorizado pelo Senado em dezembro de 2025, após aprovação da Comissão de Financiamentos Externos (COFIEX), marcando um avanço na inovação em saúde pública brasileira.
