Delcy agradece a Lula e ao povo brasileiro por apoio e solidariedade

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, manifestou nesta sexta-feira “especial gratidão” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao povo brasileiro pelo apoio e solidariedade após o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores por militares dos Estados Unidos, por ordem do governo Donald Trump. Em mensagens divulgadas nas redes sociais, Delcy afirmou que o respaldo brasileiro tem sido fundamental “nos momentos mais críticos após a agressão sofrida”, em referência à operação que retirou à força o chefe de Estado venezuelano de Caracas e o levou, junto com a esposa, para Nova York, onde ambos estão detidos e respondem a acusações na Justiça norte-americana.

Segundo Delcy, além de Lula, ela manteve conversas com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, para relatar detalhadamente a situação na Venezuela desde o início dos ataques armados ao território do país. De acordo com a presidente interina, essas ações resultaram na morte de mais de 100 civis e militares, episódio que Caracas classifica como grave violação do direito internacional e atentado direto à soberania venezuelana. A dirigente explicou que, nesses encontros, expôs aos líderes estrangeiros o que descreve como “graves violações do direito internacional, incluindo a violação da imunidade de jurisdição” de Maduro e da primeira-dama, que, na visão do governo bolivariano, deveriam estar protegidos por sua condição de chefe de Estado e de representante oficial do país.

Delcy enfatizou que, apesar da escalada da tensão, a estratégia de Caracas será enfrentar o episódio prioritariamente pelos canais diplomáticos, que ela definiu como “o único caminho” para defender a soberania nacional e preservar a paz na região. A presidente interina disse ter reiterado aos interlocutores que a Venezuela pretende construir uma agenda de cooperação bilateral que tenha como eixo o respeito ao direito internacional, à soberania dos Estados e ao diálogo entre os povos, buscando transformar a reação à ofensiva militar em um esforço articulado de pressão política e jurídica contra Washington.

Em relação à Colômbia, Delcy destacou que o diálogo com Gustavo Petro avançou no sentido de consolidar um compromisso conjunto para “enfrentar e resolver os problemas que nos afetam em comum, com base no respeito mútuo e na cooperação regional”. Segundo ela, Caracas e Bogotá compartilham preocupações sobre segurança de fronteira, fluxos migratórios e estabilidade política na região, temas que ganham nova dimensão após a operação norte-americana que culminou na captura de Maduro. O governo colombiano tem criticado abertamente o sequestro e o tratamento dado a Cilia Flores, o que, para Caracas, é interpretado como sinal de isolamento político da medida tomada por Washington.

Sobre o diálogo com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, a presidente interina venezuelana agradeceu o que chamou de “corajosa posição” do líder europeu ao condenar a agressão contra a Venezuela. Segundo Delcy, a conversa com Sánchez incluiu a proposta de construção de uma ampla agenda bilateral, voltada para áreas de interesse comum e que “seja benéfica tanto para nossos povos quanto para nossos governos”. A aproximação com Madri é vista pelo governo venezuelano como um passo importante para ampliar, dentro da União Europeia, a narrativa de que a detenção de Maduro configura violação de soberania e abuso de jurisdição extraterritorial por parte dos Estados Unidos.

Em outra mensagem, Delcy Rodríguez dirigiu um agradecimento específico ao emir do Catar, Tamim bin Hamad bin Khalifa Al-Thani. Ela afirmou que o governo bolivariano “reconhece e valoriza” a disposição do líder catariano em contribuir para a construção de uma agenda de trabalho e de diálogo direto entre Estados Unidos e Venezuela. O aceno de Doha é interpretado por Caracas como uma possível via de mediação em meio ao impasse, em um momento em que a pressão internacional cresce e diferentes governos discutem, em fóruns multilaterais e contatos bilaterais, os limites legais e políticos da ação norte-americana.

Enquanto Maduro e Cilia Flores permanecem sob custódia em Nova York, enfrentando acusações relacionadas a narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e posse de armas, o governo interino em Caracas busca consolidar uma frente diplomática que questione a legalidade da operação militar e da jurisdição adotada pelos Estados Unidos. A estratégia de Delcy combina o apelo a aliados tradicionais, como Brasil e Colômbia, a articulação com países europeus dispostos a condenar a ação, como a Espanha, e a abertura a mediadores potenciais, caso do Catar, na tentativa de transformar o episódio que o chavismo define como “sequestro de um presidente em exercício” em tema central da agenda internacional sobre respeito à soberania, imunidade de chefes de Estado e limites do poder de coerção norte-americano.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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