O brasileiro Lucas Pinheiro Braathen voltou a escrever um capítulo especial na história do esporte nacional ao conquistar, neste sábado, a medalha de prata no slalom gigante da etapa de Adelboden, na Suíça, pela Copa do Mundo de esqui alpino. O resultado representa o terceiro pódio de Lucas na temporada e mantém seu nome entre os principais esquiadores do circuito às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina.
Na pista de Chuenisbaergli, uma das mais tradicionais e técnicas do calendário, Lucas completou as duas descidas em 2min31s72, tempo suficiente para garantir o segundo lugar geral. A vitória ficou com o suíço Marco Odermatt, ídolo da casa, que triunfou pela quinta vez consecutiva em Adelboden, consolidando seu domínio no gigante. O francês Léo Anguenot fechou o pódio em terceiro.
O desempenho do brasileiro foi marcado por consistência e controle em uma prova exigente, disputada em um traçado de curvas rápidas e mudanças de terreno, com neve pesada e visibilidade variável. Na primeira descida, Lucas já mostrou que brigaria pelo pódio ao registrar o segundo melhor tempo, 1min14s89, muito próximo da marca de Odermatt. Na segunda, sob ainda mais pressão e com o percurso mais técnico, voltou a ser competitivo e assegurou a prata ao superar Anguenot por margem mínima na soma dos tempos.
O resultado tem sabor especial para o esquiador, que não completava as duas descidas do slalom gigante em Adelboden desde 2021, quando ainda representava a Noruega e sofreu uma séria lesão no joelho justamente nessa montanha. De volta ao local que marcou um dos momentos mais difíceis da carreira, Lucas encarou o desafio com carga emocional evidente. Ao cruzar a linha de chegada e confirmar o pódio, celebrou não apenas a medalha, mas também uma espécie de reconciliação com a pista que o havia afastado das competições por longo período.
A prata na Suíça confirma a fase ascendente do brasileiro na Copa do Mundo. Na atual temporada, ele já havia vencido o slalom em Levi, na Finlândia, e ficado com o segundo lugar no slalom gigante em Alta Badia, na Itália. A regularidade entre os melhores do mundo o levou à vice-liderança do ranking geral da Copa do Mundo de Esqui Alpino, com 488 pontos, atrás apenas de Odermatt, que soma 955. A vantagem de Lucas para o austríaco Marco Schwarz, terceiro colocado, é de 37 pontos, o que dá peso a cada prova na luta pelas primeiras posições.
Norueguês de nascimento e filho de mãe brasileira, Lucas decidiu recentemente competir pelo Brasil e rapidamente se tornou uma das grandes referências do país nos esportes de inverno. Seu desempenho no circuito mantém o status de principal esperança brasileira por uma medalha inédita na Olimpíada de Inverno que será disputada em Milão e Cortina, entre 6 e 22 de fevereiro. Em modalidades historicamente dominadas por países europeus e norte-americanos, a presença de um brasileiro brigando por vitórias e pódios em sequência já é considerada um marco.
Além do simbolismo esportivo, a campanha de Lucas também contribui para dar visibilidade ao esqui alpino no Brasil, um país sem tradição na modalidade e sem estrutura de neve natural para formação de atletas. A cada prova, seus resultados ampliam o interesse do público e de possíveis novos praticantes, ao mesmo tempo em que colocam a bandeira brasileira nas principais transmissões do circuito internacional.
A jornada em Adelboden, porém, ainda não terminou. Lucas volta à pista neste domingo para disputar a prova de slalom, especialidade em que foi prata no mesmo local no ano passado. Em uma disciplina que exige ainda mais precisão nas curvas curtas e rápidas, ele terá nova oportunidade de transformar consistência em mais um pódio, chegar ainda mais forte à reta final de preparação para os Jogos Olímpicos e consolidar sua posição entre os grandes nomes do esqui mundial na atualidade.
