Os filhos do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar em 1975, Ivo e André Herzog, foram reconhecidos como anistiados políticos pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A portaria que oficializa a decisão foi publicada na edição de segunda-feira no Diário Oficial da União, assinada pela ministra Macaé Evaristo.
Com o reconhecimento, os irmãos terão direito a um pedido oficial de desculpas do Estado brasileiro e a uma indenização de R$ 100 mil cada, de caráter indenizatório. A medida amplia o processo de reparação já iniciado com a família: em 2024, Clarice Herzog, viúva de Vladimir, foi reconhecida como anistiada política, e em março de 2025, o próprio jornalista recebeu anistia post mortem, garantindo pensão vitalícia à esposa no valor de R$ 34.577,89.
Gabriela de Sá, conselheira da Comissão de Anistia e relatora do caso, destacou que o ato representa uma reparação histórica para traumas intergeracionais causados pelo regime ditatorial. Ela explicou que restrições à convivência familiar e violações de direitos humanos, impostas como medidas de exceção, justificam o status de anistiados políticos para os filhos de perseguidos.
A análise dos documentos revela o impacto profundo sofrido por Ivo e André desde a infância, especialmente pelas disputas sobre as circunstâncias da morte do pai no DOI-Codi, em São Paulo. A ostensiva exposição da imagem de Vladimir sem vida na cela agravou as violações, atingindo diretamente as crianças durante a ditadura.
O assassinato de Herzog, em 25 de outubro de 1975, foi inicialmente apresentado como suicídio, mas documentos posteriores, como o atestado de óbito entregue em 2013, confirmaram lesões e maus-tratos durante interrogatório. O caso se tornou símbolo das violações de direitos humanos no período militar e impulsionou questionamentos ao regime.
