Conheça o ICE: polícia migratória de Trump alvo de protestos nos EUA

Milhares de pessoas saíram às ruas das principais cidades dos Estados Unidos nos últimos dias, em mais de mil protestos contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), agência federal no epicentro da controvérsia após o assassinato da cidadã norte-americana Renee Nicole Good, de 37 anos. A poeta premiada, guitarrista amadora, mãe de três filhos e dona de casa, recentemente mudada para Minneapolis, foi morta a tiros por um agente do ICE no dia 7 de janeiro, durante uma operação de imigração no sul da cidade, a cerca de um quilômetro do local onde George Floyd foi assassinado em 2020.

Good atuava como observadora legal voluntária, monitorando as ações dos agentes para garantir o respeito aos direitos civis e manter a calma nas ruas. Vídeos gravados por testemunhas e pelo próprio agente mostram o momento em que ela trancou a rua com seu carro, aparentemente para bloquear a operação, o que levou o policial a disparar em legítima defesa, segundo autoridades federais. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou a ação de Good como ato de terrorismo doméstico, alegando que ela usou o veículo como arma, perseguiu e gritou contra os agentes o dia todo, tentando atropelá-los. A mãe da vítima, Donna Ganger, descreveu Renee como extremamente compassiva e negou que ela estivesse envolvida em confrontos diretos, afirmando que não fazia parte de nada que desafiasse os agentes.

Criado em março de 2003, no contexto da invasão do Iraque, o ICE uniu os antigos serviços de alfândega e imigração com a missão de combater a imigração ilegal, vista como ameaça à segurança nacional. Sob o governo Trump, a agência expandiu drasticamente: contratou 12 mil novos agentes no primeiro ano, elevando o efetivo para 22 mil, um aumento de 120%, e recebeu US$ 45 bilhões para centros de detenção, um salto de 265% no orçamento anual, superior ao do sistema prisional federal. Críticos apontam métodos agressivos, como uso de máscaras para intimidar imigrantes, enquanto movimentos como No Kings, rede de esquerda anti-Trump, lideram os atos, com gritos de “O ICE mata. São fascistas. São assassinos. Invadiram a nossa cidade”.

Em Minneapolis, epicentro dos protestos, manifestantes desafiaram temperaturas negativas, reunindo-se no local da morte com cartazes como “Justiça por Renee”, flores, velas e memorial improvisado. No sábado (10), cerca de mil pessoas participaram de uma manifestação barulhenta com apitos, tambores e fogos em frente a hotéis onde agentes se hospedam; 29 foram detidos após arremessos de gelo, neve e pedras, embora o prefeito Jacob Frey tenha destacado a maioria pacífica. Atos se espalharam para Filadélfia, Nova York, Washington, Los Angeles, Boston e outras cidades, com imigrantes como Daniel, de origem mexicana, denunciando: “A cor da nossa pele ou falar espanhol não nos torna criminosos”.

O governo Trump reagiu enviando centenas de agentes adicionais a Minneapolis, enquanto o ICE acusa manifestantes de protegerem estupradores de crianças, assassinos e criminosos cruéis. A cidade e o estado de Minnesota entraram com ação judicial contra a administração federal pelas operações em larga escala. A ONU exigiu investigação rápida, independente e transparente, pedindo redução de tensões e proibição de incitação à violência. O FBI assumiu a apuração exclusiva, bloqueando acesso das autoridades locais a provas, apesar de acordo inicial para investigação conjunta. Um incidente em Portland, onde agentes da patrulha fronteiriça feriram duas pessoas um dia após a morte de Good, intensificou a polêmica nacional.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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