# Fuvest anuncia mudanças significativas na lista de leitura obrigatória para vestibulares de 2030 a 2033
O Conselho de Graduação da Universidade de São Paulo aprovou as obras de literatura que serão cobradas nos vestibulares de 2030 a 2033, marcando um momento de transformação na seleção de textos para o exame. A divulgação antecipada visa permitir que escolas, professores e estudantes se organizem com tempo suficiente, garantindo uma transição planejada entre os diferentes ciclos de leitura e mantendo a qualidade e diversidade das obras selecionadas.
A lista traz inovações significativas que ampliam os horizontes literários cobrados pela Fuvest. Pela primeira vez, autores indígenas aparecem na seleção, com a inclusão de “Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena”, organizada por Trudruá Dorrico e Maurício Negro, para 2030-2031, e “Fantasmas”, de Daniel Munduruku, para 2032-2033. Outra novidade é a entrada de uma graphic novel, “Beco do Rosário”, de Ana Luiza Koehler, representando a primeira vez que esse gênero figura na lista de obrigatórias.
O retorno de peças de teatro também marca presença nas novas listas. “A Moratória”, de Jorge Andrade, integra o biênio 2030-2031, enquanto “Orfeu da Conceição”, de Vinicius de Moraes, aparece em 2032-2033. Complementando as mudanças, há a inclusão inédita da literatura asiática, com “O Plantador de Abóboras”, do escritor timorense Luís Cardoso de Noronha, trazendo aos vestibulandos uma perspectiva de autores de países asiáticos.
O diretor-executivo da Fuvest, Gustavo Monaco, explicou que essas mudanças refletem uma preocupação em trazer visões mais contemporâneas e abordar um espectro de problemas mais amplo. Segundo ele, a estratégia favorece a avaliação comparativa entre diferentes escolas literárias e as próprias obras, permitindo que os estudantes estabeleçam relações entre concepções e narrativas variadas.
A ampliação do escopo literário impacta também a correção das provas. A banca de português da Fuvest é a maior do exame, pois todos os candidatos da segunda fase realizam essa avaliação, totalizando aproximadamente 30 mil pessoas. Metade das questões envolve literatura, e a correção fica a cargo de professores da USP, doutorandos, ex-alunos de doutorados e alunos de pós-doutorado. Com a expansão das obras e gêneros, cresce a complexidade tanto das perguntas quanto das respostas esperadas.
Monaco comenta que durante a correção tem surgido mais frequentemente debates entre os avaliadores, pois algumas respostas trazem novas formas de pensar os temas, com abordagens que estimulam perspectivas inovadoras de comparação entre as obras.
A lista também marca a retomada gradual de autores masculinos. Entre 2026 e 2028, as obras cobradas apresentavam somente autoras de língua portuguesa, brasileiras e estrangeiras. A partir do vestibular de 2029, autores da literatura brasileira e de língua portuguesa retornam à seleção, mantendo a partir daí uma paridade de gêneros na seleção de obras.
Para o biênio 2030-2031, os vestibulandos estudarão “Laços de Família” (Clarice Lispector), “Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena” (Trudruá Dorrico e Maurício Negro), “A Moratória” (Jorge Andrade), “Uma Faca só Lâmina” (João Cabral de Melo Neto), “Beco do Rosário” (Ana Luiza Koehler), “Esaú e Jacó” (Machado de Assis), “Memorial do Convento” (José Saramago), “A Ilha Fantástica” (Germano Almeida) e “Quarto de Despejo” (Carolina Maria de Jesus).
Para 2032-2033, a lista inclui “Laços de Família” (Clarice Lispector), “Orfeu da Conceição” (Vinicius de Moraes), “Uma Faca só Lâmina” (João Cabral de Melo Neto), “Beco do Rosário” (Ana Luiza Koehler), “Úrsula” (Maria Firmina dos Reis), “Esaú e Jacó” (Machado de Assis), “O Plantador de Abóboras” (Luís Cardoso), “Casa de Família” (Paula Fábrio) e “Fantasmas” (Daniel Munduruku).
