# Sanção dos EUA ao Irã Não Deve Afetar o Brasil, Afirma Alckmin
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que uma eventual sanção dos Estados Unidos ao Irã, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, não deve trazer impactos relevantes para o Brasil. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Bom Dia Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação.
Alckmin destacou que a relação comercial entre Brasil e Irã é pequena. O Brasil registrou superávit comercial de US$ 2,8 bilhões com o Irã em 2025, com exportações de US$ 2,9 bilhões e importações de US$ 84,6 milhões. O Irã representa 0,84% das exportações brasileiras, ocupando o 31º destino de vendas, e 0,03% das importações, no 82º lugar no ranking de compras. A corrente de comércio totalizou US$ 3 bilhões. Os principais produtos exportados pelo Brasil ao Irã foram milho não moído, com 67,9% de participação no valor de US$ 2 bilhões, e soja, com 19,3% no equivalente a US$ 563,6 milhões. Nas importações, destacam-se adubos ou fertilizantes químicos, com 79% do total, equivalendo a US$ 66,8 milhões.
O vice-presidente ressaltou que muitos países, inclusive europeus como a Alemanha, mantêm relações comerciais com o Irã, um país com 100 milhões de habitantes. “O Irã é um pequeno participante do comércio exterior brasileiro, ele está lá no fim da fila, não tem grande relevância”, comentou.
Sobre a supertarifação de 25% anunciada por Trump a países que fazem negócios com o Irã, Alckmin avaliou que seria difícil implementar essa medida na prática. A aplicação abrangeria mais de 70 países do mundo, inclusive nações europeias. Até o momento, não há ordem executiva do governo norte-americano que imponha oficialmente sanções ao Irã. “Esperamos que não seja aplicada. Porque imposto de exportação é imposto regulatório, é outra lógica. E isso valeria para o mundo inteiro”, afirmou.
Alckmin reforçou o posicionamento histórico do Brasil em defesa da paz e do multilateralismo. O Brasil é um país de paz cuja última guerra ocorreu há mais de um século. “Vamos promover a paz, fortalecer o multilateralismo, tratar de melhorar a vida do povo através do emprego e da melhora de renda. Esse é o bom caminho e é isso que o Brasil está trilhando”, concluiu.
