Cubatão pede ajuda para tentar reverter fechamento de fábricas

O prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD), anunciou que viajará a Brasília para pedir ajuda ao governo federal contra o fechamento de duas fábricas históricas na cidade, da petroquímica Unigel e da Yara Brasil Fertilizantes, que paralisaram as operações em menos de um ano após décadas de atividade.

Ao lado de representantes políticos, empresariais e sindicais da Baixada Santista, Nascimento pretende sensibilizar autoridades sobre a urgência de rever a política tarifária do setor petroquímico, especialmente a que favorece a importação de fertilizantes. Ele planeja uma reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para discutir os impactos desses encerramentos, um problema que Cubatão enfrenta há mais de uma década. “A perda de protagonismo de um polo industrial da relevância de Cubatão não é um problema local, mas um fator de enfraquecimento da indústria nacional como um todo”, afirmou o prefeito, que defende medidas de defesa comercial e melhores condições de financiamento para o setor produtivo.

A Unigel, uma das principais petroquímicas do Brasil com unidades em São Paulo e Bahia, paralisou no dia 8 sua fábrica de estireno, usado na produção de poliestireno para eletrodomésticos e embalagens, e de tolueno, solvente para tintas e resinas, após quase 70 anos em Cubatão. A decisão ocorreu em meio a uma crise global na indústria química, com sobreoferta de commodities petroquímicas intensificada pela expansão internacional a partir de 2023. A empresa, em recuperação judicial desde outubro de 2025 para renegociar uma dívida superior a 5 bilhões de reais, transferirá a produção de poliestireno para sua unidade no Guarujá e encerrará as operações em São José dos Campos. A planta de Cubatão operava com 70 funcionários diretos e 30 indiretos, enquanto a de São José dos Campos tinha cerca de 40 trabalhadores. A Unigel não descarta retomar as atividades quando as condições de mercado melhorarem, mas vê pouca perspectiva no curto prazo.

Dias antes do anúncio, Nascimento ofereceu isenções fiscais à Unigel para preservar empregos e arrecadação. A Yara Brasil, por sua vez, paralisou em fevereiro suas fábricas de Cubatão e Paulínia, agravando a crise no polo industrial da cidade, que já perdeu força com o fechamento dos altos-fornos da Usiminas em 2016 (antiga Cosipa), o que eliminou cerca de 15 mil postos de trabalho diretos e levou ao encerramento de empresas dependentes de seus insumos.

Herbert Passos Filho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e de Fertilizantes da Baixada Santista (Sindquim), lamentou o fim da unidade da Unigel, berço do sindicato quando ainda era Companhia Brasileira de Estireno. “Cubatão já foi o principal polo produtor de fertilizantes do Brasil”, recordou, destacando o declínio desde a privatização da Cosipa e o aumento da dependência de importados, beneficiados por isenções tributárias.

O sindicalista critica a tributação que privilegia importações, especialmente após o Convênio ICMS 26/2021 do Confaz, que aumentou o custo de produtores rurais em 11,74 bilhões de reais entre 2021 e 2024. Medidas recentes como o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), sancionado no fim de 2025 com mais de 10 bilhões de reais em incentivos de 2027 a 2031, e a retomada do Regime Especial da Indústria Química (Reiq) em 2023, buscam fortalecer o setor, exposto pela guerra na Ucrânia em 2022. Alckmin defendeu o Reiq para reduzir impostos sobre insumos e combater práticas anticoncorrenciais. Nascimento também cobra agilidade na investigação da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) sobre dumping em exportações chinesas de aço laminado.

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) lamentou os fechamentos e reforça o diálogo com governos para conter a desindustrialização que assola o país desde os anos 1980. Cubatão, outrora símbolo da industrialização paulista e nacional, mas também conhecida como o município mais poluído do mundo pela ONU na década de 1980, vê no apoio federal uma oportunidade de revitalizar seu polo de siderurgia, química e fertilizantes.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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