# Ar-condicionado no Brasil: crescimento explosivo e desafios energéticos
Brasil está entre os maiores consumidores de ar-condicionado do mundo, e a demanda pelos aparelhos segue em trajetória acelerada devido ao clima predominantemente quente e ao aumento da renda da população. O consumo de energia elétrica associado ao uso de ar-condicionado no setor residencial mais que triplicou nos últimos doze anos, enquanto o uso doméstico aumenta 9% ao ano.
O impacto é significativo: entre 2005 e 2017, enquanto o consumo de energia elétrica em todo o setor residencial cresceu cerca de 61%, o consumo devido aos condicionadores de ar teve um aumento de 237%. Em termos relativos, a participação do ar-condicionado no consumo elétrico das residências passou de 6,7% em 2005 para 14% em 2018, tornando-se o eletrodoméstico com maior crescimento relativo.
As perspectivas futuras são ainda mais expressivas. Segundo projeção recente da Agência Internacional de Energia, Brasil possui atualmente cerca de 36 milhões de unidades de ar-condicionado, número que deve chegar a 160 milhões em 2050, representando uma alta de quase 350%. Globalmente, o salto será de 2 bilhões para 5,5 bilhões de aparelhos no mesmo período. Mesmo com melhorias na eficiência dos equipamentos, em um cenário sem intervenções adequadas, o gasto de energia com ar-condicionado deve dobrar, com esses aparelhos consumindo 14% da eletricidade mundial em 2050.
A demanda crescente também varia conforme fatores sazonais e regionais. Temperaturas elevadas levaram a aumentos expressivos no consumo de energia. Em fevereiro de 2025, o consumo de energia elétrica no Brasil cresceu 4,9% em relação ao ano anterior, ultrapassando pela primeira vez a marca de 77 mil megawatts médios mensais.
**Disparidades socioeconômicas**
O acesso e uso de ar-condicionado no Brasil reflete desigualdades econômicas. Levantamento da Empresa de Pesquisa Energética indica que em residências com renda de dois a três salários mínimos por pessoa, um indivíduo consome em média 60 quilowatts-hora por ano com ar-condicionado. Na faixa de cinco a dez salários mínimos, esse consumo é de 194 kWh, representando 223% a mais. A diferença de consumo é bem maior no ar-condicionado do que em outros eletrodomésticos como geladeiras, cuja variação entre esses mesmos grupos de renda é de apenas 35%.
Atualmente, entre 15% e 20% dos domicílios brasileiros possuem ao menos um aparelho de ar-condicionado. A posse de ar-condicionado nas residências cresce 10% ao ano, evidenciando expansão acelerada do parque de equipamentos.
**Desafios energéticos e ambientais**
O Brasil possui mais de 90% de sua energia de fontes renováveis, predominantemente hidrelétrica, mas o acionamento de usinas térmicas a gás tem se tornado cada vez mais frequente, especialmente em períodos de muito calor e seca, quando os reservatórios de água das barragens ficam mais vazios. Justamente nessas horas, a demanda por refrigeração de ambientes sobe, aumentando o consumo de eletricidade gerada por fontes fósseis.
Entidades sociais e ambientalistas pressionam o governo e a indústria para adotar padrões mais rígidos de eficiência energética. Brasil já possui o programa Procel e uma política de etiquetagem que orienta o consumidor a escolher produtos mais econômicos, mas os especialistas alertam que as exigências precisam ser continuamente atualizadas.
**Estratégias para economia**
Um ar-condicionado de 12 mil BTUs pode consumir até R$ 330 a mais na conta de luz se usado na potência máxima. Para cada 1°C que se deixa a temperatura mais elevada, a economia na conta de luz pode variar de 3% a 10%. Uma temperatura entre 23 e 25 graus é considerada adequada para conforto humano e contribui para economia. Temperaturas muito baixas causam consumo excessivo de energia e desconforto térmico.
Aparelhos com tecnologia inverter oferecem maior controle sobre o consumo e podem provocar redução de até 47% no consumo residencial. Manutenção regular também é essencial: filtros limpos e revisões periódicas evitam perda de eficiência. Manter portas e janelas fechadas durante o uso e proteger o ambiente contra o sol com cortinas e persianas contribuem para melhorar a eficiência do equipamento.
