# Raul Jungmann: Uma Vida Dedicada à Vida Pública Brasileira
Raul Belens Jungmann Pinto faleceu em Brasília no dia 18 de janeiro de 2026, aos 73 anos, após um longo tratamento contra o câncer. O pernambucano deixa um legado de mais de cinco décadas dedicadas à vida pública brasileira, tendo ocupado posições de grande relevância nacional em diversos governos.
Natural de Recife, nascido em 3 de abril de 1952, Jungmann construiu uma sólida carreira como consultor empresarial e político, filiado ao Partido Popular Socialista, atual Cidadania. Na juventude, militou no Partido Comunista Brasileiro e participou ativamente do movimento Diretas Já, que reivindicava mudanças nas eleições presidenciais durante a redemocratização do país.
Sua trajetória profissional começou de forma modesta. Em 1990, foi nomeado Secretário de Estado de Planejamento do governo de Pernambuco, e em 1993, mudou-se para Brasília para assumir a função de Secretário-Executivo do Ministério do Orçamento e Gestão. Em 1995, iniciou sua passagem pelos principais órgãos ambientais e fundiários do país ao assumir a presidência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o IBAMA.
Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, Jungmann exerceu grande influência nas políticas de reforma agrária e desenvolvimento rural. Acumulou os cargos de presidente do IBAMA e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, o INCRA, além de ser ministro extraordinário de Política Fundiária e, posteriormente, ministro do Desenvolvimento Agrário, permanecendo neste último até 2002.
Na sua trajetória como parlamentar, Jungmann conquistou três mandatos como deputado federal por Pernambuco, sendo eleito em 2002 e reeleito em 2006. Tentou, sem êxito, candidatura ao Senado em 2010, e foi vereador do Recife entre 2012 e 2014. Durante sua atuação no Congresso Nacional, integrou comissões importantes, presidindo a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.
Na gestão Michel Temer, Jungmann voltou à Esplanada como ministro da Defesa em 2016, tornando-se um dos civis a comandar a pasta responsável pelas Forças Armadas. Sua influência consolidou-se em fevereiro de 2018, quando foi nomeado para o recém-criado Ministério da Segurança Pública, tornando-se o primeiro ministro dessa pasta na história do Brasil. Nessa posição, foi responsável pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Departamento Penitenciário Nacional e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.
Após deixar o governo Temer, Jungmann permaneceu ativo na vida pública. Em março de 2022, assumiu a presidência do Instituto Brasileiro de Mineração, o IBRAM, onde liderou uma importante agenda de transformação do setor mineral, pautada pelos princípios ESG, ambiental, social e de governança, buscando promover uma mineração mais responsável.
A presidente do Conselho Diretor do IBRAM, Ana Sanches, afirmou que Jungmann foi um “homem público de estatura singular, defensor da democracia e comprometido com o interesse público”. Segundo desejo do próprio Jungmann, o velório foi realizado em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos.
