O Fundo Monetário Internacional reduziu sua projeção de crescimento da economia brasileira para 1,6% em 2026, uma queda de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa anterior de 1,9%, divulgada em outubro. Essa revisão negativa contrasta com a melhora nas perspectivas para 2025, elevada de 2,4% para 2,5%, e para 2027, que subiu de 2,2% para 2,3%, conforme a atualização do relatório Perspectiva Econômica Global, publicada nesta segunda-feira.
O principal motivo para o corte na projeção de 2026 é a política monetária restritiva mantida pelo Banco Central, com a taxa básica de juros, Selic, em 15% ao ano, adotada desde agosto de 2025 para conter a inflação elevada registrada no ano anterior. Segundo o FMI, os efeitos defasados desse aperto monetário limitam a expansão da atividade econômica no curto prazo, mesmo com sinais de leve melhora nos anos seguintes.
Enquanto isso, o cenário global apresenta um quadro distinto, com o FMI elevando a projeção de crescimento mundial para 3,3% em 2026, alta de 0,2 ponto percentual em relação à previsão anterior. Na região, o Brasil fica aquém da média para América Latina e Caribe, projetada em 2,2% para 2026 e 2,7% para 2027. Para as economias emergentes e em desenvolvimento, como grupo, o FMI estima expansão de 4,2% em 2026, mais que o dobro da taxa brasileira.
Para 2025, a projeção elevada para o Brasil também contrasta com as estimativas do governo. O Ministério da Fazenda estimou crescimento de 2,4% em 2026, enquanto o Banco Central projeta expansão de 1,6%, em linha com a nova projeção do Fundo. O cenário de juros elevados permanecerá por um longo período, mantendo a economia em fase contracionista conforme o objetivo do Banco Central de reduzir a pressão sobre os preços.
