Brasil lidera esforços para avanços climáticos antes da COP31

A oito meses da 31ª Conferência sobre Mudança do Clima (COP31), que ocorrerá em Antália, Turquia, o embaixador André Corrêa do Lago enfrenta o desafio de concluir a presidência brasileira no espaço multilateral das Nações Unidas para ação climática. Entre as prioridades estão a criação de roteiros para acabar com o desmatamento global e a transição dos combustíveis fósseis, visando uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa.

Até 31 de março, a presidência da COP30 mantém uma chamada global aberta para receber contribuições de países e partes interessadas. Corrêa do Lago, em entrevista à Agência Brasil, destacou a necessidade de coordenação entre a presidência da COP31 e a negociação australiana, para garantir que os legados da COP30 sejam absorvidos na preparação da próxima conferência.

Corrêa do Lago ressaltou que as COPs estão entrando em uma fase de implementação, onde é crucial que sejam instrumentos efetivos de ação. Apesar de avanços, houve frustrações devido à falta de consenso sobre combustíveis fósseis. A Colômbia lidera uma iniciativa para discutir o tema, mas Corrêa do Lago afirma que a liderança é do Brasil, com o presidente Lula lançando a ideia do Mapa do Caminho em uma dimensão política.

O roadmap para a transição dos fósseis será apresentado ao longo do ano, com discussões em conferências como a de Santa Marta, na Colômbia. O movimento paralelo, incluindo o Tratado de Não-Proliferação de Fósseis, também segue em discussão, com a Colômbia participando ativamente.

A Conferência de Segurança em Munique destacou as mudanças climáticas como uma ameaça à segurança global, mas há dificuldades em avançar na agenda climática devido ao impacto econômico. A discussão energética está fragmentada entre várias entidades, dificultando um consenso universal.

O governo dos Estados Unidos, embora tenha se retirado da Convenção do Clima, mostra interesse na transição energética, especialmente em minerais críticos. Corrêa do Lago observa que EUA e China adotam caminhos diferentes, com a China apostando na transição e os EUA mantendo formas tradicionais de energia.

Até novembro, quando termina a presidência brasileira da COP, as prioridades incluem finalizar dois mapas do caminho sobre desmatamento e transição de combustíveis fósseis, além de completar a estrutura de financiamento climático para US$ 1,3 trilhão ao ano. O Acelerador, iniciativa para acelerar a implementação do Acordo de Paris, também está entre as prioridades.

Corrêa do Lago destacou a importância de esclarecer os números do financiamento climático, trabalhando com grupos como o IHLEG e o Conselho de Economistas da COP30. A precisão nos números é essencial para construir confiança entre os países e alcançar consensos necessários.

Fonte: Agência Brasil

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