Mulheres se reúnem na Avenida Paulista em ato pelo Dia Internacional da Mulher

Apesar da forte chuva que caiu na tarde deste domingo em São Paulo, milhares de mulheres se reuniram na Avenida Paulista em ato que marca o Dia Internacional da Mulher. Na capital paulista, elas saíram em caminhada da Avenida Paulista até a Praça Roosevelt, segurando sombrinhas e muitas faixas que pediam pelo fim da violência contra as mulheres no país. O ato ocorreu simultaneamente em várias cidades brasileiras.

Por causa da intensa chuva, algumas das mulheres preferiram não seguir em caminhada, permanecendo embaixo do vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). “Ô abre alas, que as mulheres vão passar. Com esta marcha muitas coisas vão mudar”, cantavam as manifestantes.

Alice Ferreira, uma das fundadoras e coordenadoras do Levante Mulheres Vivas, destacou a necessidade de combate efetivo ao feminicídio e à violência contra a mulher. Ela ressaltou que não basta apenas pactos e palavras, mas sim orçamento público e medidas efetivas, algo que, segundo ela, ainda não avançou nas esferas do executivo, judiciário e legislativo.

Durante o ato na Avenida Paulista, as mulheres também realizaram intervenções independentes. Em uma delas, diversos sapatos femininos foram posicionados pela avenida, representando vítimas de feminicídio do país. Outra intervenção, com bonecas, foi instalada em frente ao Fórum Pedro Lessa, destacando as crianças que sofrem com a misoginia.

A coordenadora também mencionou a importância da aprovação de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que pretende tipificar a misoginia como crime. Ela criticou o impulso dado a discursos misóginos na internet e defendeu a criminalização como um primeiro passo para reverter essa situação.

No estado de São Paulo, 270 mulheres foram mortas em 2025, um aumento de 96,4% em comparação com 2021, representando um número recorde de feminicídios desde o início da série histórica em 2018.

Além do fim da violência e do feminicídio, as mulheres também protestaram pelo fim da escala 6×1, pelo fim da violência política e contra o extremismo que busca controlar corpos e vozes femininas. Luana Bife, da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo, explicou que o mote do ato é pela vida das mulheres, pelo fim da escala 6 por 1 e em defesa da soberania e autodeterminação dos povos.

Luana Bife defendeu que o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho são temas extremamente importantes para as mulheres, principalmente porque muitas são responsáveis pelo cuidado e renda das famílias. Ela ressaltou a necessidade de políticas públicas permanentes para enfrentar problemas como a violência contra as mulheres e a falta de garantia de direitos.

O ato, intitulado ‘Em Defesa da Vida das Mulheres’, contou com a participação de diversos movimentos sociais e sindicais, entre eles, a União Nacional por Moradia Popular, o Movimento de Mulheres Camponesas, a União Nacional dos Estudantes (UNE), Marcha Mundial das Mulheres, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entre outros.

Fonte: Agência Brasil

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