Às vésperas de mais uma cerimônia do Oscar, o cinema brasileiro volta aos holofotes internacionais. Depois da vitória histórica de ‘Ainda Estou Aqui’ como melhor filme internacional no ano passado, o país chega novamente à disputa com ‘O Agente Secreto’, indicado em quatro categorias.
Dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, ‘Ainda Estou Aqui’ ultrapassou 5,8 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros, tornando-se um dos maiores públicos da história do cinema nacional.
‘O Agente Secreto’, de Kleber Mendonça Filho, protagonizado por Wagner Moura, também alcançou grande repercussão nas salas de exibição e ultrapassou a marca de 2,5 milhões de ingressos vendidos no Brasil. O sucesso dos dois longas nas premiações e nas bilheterias cria a impressão de um momento de expansão do audiovisual brasileiro.
Dados da Agência Nacional do Cinema mostram que o audiovisual brasileiro vive um momento de forte expansão na produção. Em 2025, o setor registrou R$ 1,41 bilhão em recursos públicos desembolsados, o maior volume da série histórica. Atualmente, 1.556 projetos audiovisuais estão em execução com apoio direto da agência.
Grande parte desse impulso vem do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), principal mecanismo de financiamento do setor. Apenas na modalidade de investimento direto, o fundo contratou R$ 564 milhões em 2025. O aumento do financiamento público contribuiu para ampliar a produção e gerar empregos.
Mesmo com o crescimento da produção, os números de público indicam que grande parte dos filmes nacionais ainda enfrenta dificuldades para chegar aos espectadores. Segundo levantamento do portal Filme B, o público total das produções brasileiras exibidas nos cinemas em 2025 foi de 11,9 milhões de espectadores.
Uma das ferramentas utilizadas para ampliar o espaço do cinema nacional nas salas é a política de cota de tela, medida que integra a Lei 14.815/2024, prorrogada até 2033. Em dezembro de 2025, o governo regulamentou novas regras para 2026, determinando que todos os cinemas comerciais do país reservem um número mínimo de sessões para filmes brasileiros.
O próprio Kleber Mendonça Filho abordou esse tema em ‘Retratos Fantasmas’, documentário que realizou antes de ‘O Agente Secreto’. No filme, o diretor revisita a história das salas de cinema de rua no Recife e mostra como muitos desses espaços desapareceram nas últimas décadas.
Para Silvia Cruz, diretora da distribuidora Vitrine Filmes, responsável pelo lançamento de ‘O Agente Secreto’ no Brasil, o sucesso do longa demonstra uma mudança na relação do público com a cultura. Ela destaca ainda que a reconstrução recente das políticas culturais foi fundamental para esse momento.
