O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, classificou como “banditismo” o aumento no preço do óleo diesel praticado por postos de combustíveis nas últimas semanas. Ele afirmou que essa prática constitui um crime contra a economia popular.
A declaração ocorreu nesta sexta-feira (20), após um evento sobre política assistencial na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro. Boulos argumentou que o aumento do diesel não é justificado pela guerra no Oriente Médio, já que o governo federal adotou medidas para conter a alta dos preços, como a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível.
Boulos destacou que, apesar de as distribuidoras não estarem pagando mais pelo diesel, o aumento especulativo está sendo repassado aos consumidores. As ações do governo visam evitar que o preço do petróleo no mercado internacional impacte a inflação no Brasil.
O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, estava cotado a cerca de US$ 110 nesta sexta-feira. Antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o preço era pouco acima de R$ 70.
Boulos confirmou um encontro com lideranças dos caminhoneiros na próxima quarta-feira (25), no Palácio do Planalto. A categoria havia ameaçado greve devido ao aumento do combustível, mas decidiu não paralisar após o governo se comprometer a atender suas demandas.
O governo intensificou operações com a Polícia Federal e órgãos de defesa do consumidor, resultando em ações em 400 postos nos últimos dois dias, com lacrações e multas. O próximo passo pode ser a prisão de representantes dos postos.
Outra demanda dos caminhoneiros foi atendida pela Medida Provisória 1.343/2026, que pune transportadoras que não cumprem o piso do frete. Boulos afirmou que as multas aplicadas, que somam mais de R$ 400 milhões, não têm sido suficientes para inibir o descumprimento.
A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, tem pressionado a oferta de petróleo no mercado internacional. O Irã alertou sobre a possibilidade de o preço do petróleo chegar a US$ 200. No Brasil, a Petrobras reajustou o preço do diesel, mas o impacto foi suavizado pela desoneração fiscal promovida pelo governo.
