Com o início da programação da 22ª edição do Acampamento Terra Livre no centro de Brasília, líderes indígenas aguardam a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento deve reunir mais de seis mil pessoas de todas as regiões do Brasil. As lideranças planejam discutir com Lula e outras autoridades a necessidade de agilizar a demarcação de terras indígenas no país.
Kleber Karipuna, coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), confirmou que há um diálogo com o governo para que Lula participe do evento ao longo da semana. As lideranças esperam que o governo anuncie novidades, especialmente em relação às demarcações e ações de proteção às comunidades indígenas. Antes da COP30 do ano passado, a Apib apresentou um documento ao governo com bases técnicas, jurídicas e administrativas para a regularização de 107 terras indígenas.
A liderança indígena Luana Kayngang, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul, destacou a preocupação com a violência contra mulheres indígenas, que se encontram vulneráveis a ataques externos. Paulo Tupinambá, coordenador da articulação dos povos do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, afirmou que todas as delegações chegaram a Brasília por conta própria, sem recursos públicos.
Durante a semana, estão previstas pelo menos duas marchas dos indígenas do acampamento até a Praça dos Três Poderes. A primeira marcha ocorrerá na terça-feira, às 9h, com a presença de representantes do governo e parlamentares, como a deputada Célia Xakriabá. Kleber Karipuna afirmou que o protesto visa colaborar com o governo federal para avançar nas pautas indígenas.
A segunda marcha está programada para quinta-feira, às 14h, com o tema ‘Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida’. A Apib defende que 76 Terras Indígenas estão prontas para homologação, aguardando a assinatura do presidente Lula, enquanto outras 34 dependem de portaria do Ministério da Justiça.
Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas destacou que a instalação da pasta em 2023 permitiu que indígenas ocupassem cargos estratégicos e decisórios, rompendo com a visão tutelar que orientava a política indigenista. As ações do ministério nos últimos três anos foram fundamentais para recuperar direitos e políticas desmanteladas anteriormente. O governo ressaltou a homologação de 20 territórios indígenas, totalizando 2,2 milhões de hectares.
