O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta terça-feira (7) uma lista atualizada de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. A lista, que é publicada semestralmente em abril e outubro, agora conta com 613 nomes, um aumento de 6,28% em relação à atualização anterior.
Entre os novos nomes incluídos está a montadora chinesa BYD, localizada no complexo fabril em Camaçari, Bahia, no antigo complexo industrial da Ford. A fábrica, voltada para a produção de veículos elétricos e híbridos, foi inaugurada em outubro de 2025, com um investimento de R$ 5,5 bilhões.
O MTE, através da Fiscalização do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho na Bahia, realizou diligências fiscais em Camaçari entre dezembro de 2024 e maio de 2025. Durante essas ações, 471 trabalhadores chineses foram identificados, dos quais 163 estavam em condições análogas à escravidão.
A investigação concluiu que a montadora BYD teve responsabilidade direta na vinda irregular dos trabalhadores ao Brasil. Apesar de apresentar contratos com outras empresas, foi constatado que os trabalhadores estavam subordinados diretamente à BYD, caracterizando uma relação de emprego conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Indícios de fraude às autoridades migratórias também foram identificados, com a montadora facilitando a entrada irregular dos trabalhadores no país. Além disso, os trabalhadores estavam em condições de trabalho forçado, com jornadas exaustivas e em ambientes degradantes.
Os alojamentos apresentavam condições precárias, com trabalhadores dormindo em camas sem colchões e convivendo com falta de higiene e infraestrutura. A jornada de trabalho era de, no mínimo, 10 horas diárias, sem folgas regulares, o que levou à interdição de algumas atividades e instalações.
Em janeiro deste ano, a BYD firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho, no valor de R$ 40 milhões.
Outro caso incluído na lista envolve um cantor e empresário do agronegócio, autuado por condições análogas à escravidão em suas propriedades, o Sítio Esperança e o Sítio Recanto da Mata. Após fiscalizações em 2024, ele assinou um TAC com o Ministério Público do Trabalho e regularizou as obrigações trabalhistas.
