Revelações sobre apoio empresarial à ditadura no Brasil destacam papel da Nestlé

A relação entre empresas multinacionais e a ditadura militar no Brasil começa a ser desvendada, com a Nestlé emergindo como uma das corporações que mantiveram vínculos com o regime. O segundo episódio da nova temporada do podcast ‘Perdas e Danos’ explora essa conexão, revelando as contribuições da Nestlé para o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), um think tank conservador que apoiou o golpe de 1964.

Documentos do Arquivo Nacional comprovam as doações feitas pela Nestlé, representada pelo executivo Gualter Mano, ao IPES. Além disso, a multinacional suíça é mencionada no relatório final da Comissão Nacional da Verdade por sua colaboração com a Operação Bandeirantes (OBAN), um dos principais centros de repressão do regime.

Oswaldo Ballarin, então executivo da Nestlé, é uma figura central nessa narrativa. Ele foi homenageado por seu apoio à repressão e, mais tarde, representou a empresa em uma audiência no Senado dos Estados Unidos sobre a promoção de leite em pó para bebês. Ballarin também ocupou posições na Brown Boveri, empresa envolvida em grandes projetos no Brasil, como a construção da Usina de Itaipu.

A pesquisadora Gabriella Lima, da Universidade de Lausanne, descobriu que Ballarin contratou a Consultores Industriais Associados (CIA), uma agência de fachada acusada de colaborar com a repressão. Documentos revelam que a CIA, liderada por Robert Lentz Plassing, estava envolvida em atividades de vigilância e apoio à tortura durante o regime militar.

Apesar das evidências, a Nestlé negou acesso aos seus arquivos à pesquisadora. A empresa, em nota, reafirmou seu compromisso com a democracia e os direitos humanos, mas não respondeu se abriria seus arquivos sobre o período. Já a ABB, sucessora da Brown Boveri, destacou sua política de tolerância zero em relação a comportamentos antiéticos.

Fonte: Agência Brasil

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