O dia 25 de março de 2026 marcou um momento histórico quando a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu a escravização de africanos como o crime mais grave contra a humanidade.
Assim como outros 122 países, o Brasil votou a favor da resolução. Entre 1501 e 1900, 4,86 milhões de escravizados chegaram ao território brasileiro, de acordo com o Banco de Dados do Comércio Transatlântico de Escravos. Nenhum outro local recebeu mais africanos traficados.
O Brasil foi também o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888, por meio de um processo incompleto. ‘A data representou, é claro, a abolição do trabalho escravo, mas não o rompimento com a forma de exploração do trabalho’, lembra o jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto.
Hoje, 138 anos após a abolição, a exploração ainda persiste, muitas vezes escondida dentro de casa. A escravização doméstica é o tema do Caminhos da Reportagem desta semana. A repórter Marieta Cazarré ouviu vítimas e profissionais que atuam no pós-resgate. O programa vai ao ar às 23h, na TV Brasil e no canal da TV Brasil no YouTube.
A ministra Liana Chaib, do Tribunal Superior do Trabalho, explica: ‘A primeira pergunta é: para onde eu vou?’. Suzana Salomono, que trabalhou anos sem receber salário, desabafa: ‘Eu não tinha casa, família nem ninguém para me abraçar’.
Equipes de reportagem em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte ouviram empregadas domésticas escravizadas no Brasil. Roberta dos Santos, de 46 anos, recebia alimentação como pagamento, mas enfrentava restrições severas.
Araci do Amaral, de 73 anos, sofreu agressões físicas e racismo. Maria Santiago, de 78 anos, não recebia salário nem o Benefício de Prestação Continuada. Maria Raimunda, de 63 anos, denuncia o sequestro do filho enquanto foi escravizada.
Suzana, Roberta, Araci, Maria Santiago e Maria Raimunda foram resgatadas. Segundo Shakti Borela, coordenadora-geral de Fiscalização do Trabalho Análogo à Escravidão, mais da metade dessas mulheres têm no máximo a 5ª série de escolaridade, 24% são analfabetas e 72% são negras.
