O governo brasileiro está empenhado em reduzir o tempo de voo entre o Brasil e Dacar, capital do Senegal, na costa oeste da África. A iniciativa visa impulsionar o comércio e o turismo entre os dois países e seus vizinhos.
Atualmente, não existem voos diretos entre os dois países, e, em muitos casos, é necessário passar por Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, antes de chegar a Dacar, o que aumenta significativamente o tempo de viagem.
Outra alternativa são os hubs em aeroportos europeus ou em cidades africanas mais distantes da América do Sul. Em linha reta, Natal, no Rio Grande do Norte, está a 2,9 mil quilômetros do Senegal, enquanto a distância para Lisboa é quase o dobro e para Dubai, quase quatro vezes maior.
A embaixadora do Brasil no Senegal, Daniella Xavier, informou à Agência Brasil sobre os esforços para reduzir o tempo de voo. Ela destacou a importância de não precisar passar pela Europa para vencer menos de 3 mil km, o que beneficiaria também outros países da África Ocidental, América Latina e Caribe.
Durante o Fórum Internacional de Dacar sobre a Paz e Segurança na África, a embaixadora enfatizou a necessidade de romper o círculo vicioso em que o comércio e o turismo não crescem por falta de conexões, e as conexões não se desenvolvem por falta de escala.
Daniella Xavier se reuniu com o ministro das Infraestruturas e dos Transportes do Senegal, Yankhoba Diémé, e com a direção da Air Senegal para discutir possíveis colaborações com empresas brasileiras e africanas, como Marrocos, Etiópia e Turquia, para desenvolver cooperação de codeshare.
A embaixadora destacou a excelente relação entre Brasil e Senegal, lembrando os laços históricos devido ao tráfico de escravos. A embaixada brasileira em Dacar foi aberta em 1961, e a representação diplomática do Senegal em Brasília é a única na América do Sul.
Em 2025, o comércio entre os dois países alcançou US$ 386,1 milhões, com um saldo positivo para o Brasil. A embaixadora sugere que o Senegal poderia aumentar suas exportações para o Brasil, investindo em produtos como amendoim e derivados de flores do nenúfar.
Um investimento significativo foi anunciado em outubro do ano passado, com a criação da primeira indústria de genética agrícola no Senegal, com um investimento inicial de US$ 20 milhões pela empresa brasileira West Aves, em parceria com africanos.
A relação entre os países tem ganhado dinamismo, com esforços para expandir investimentos e cooperação em áreas como agropecuária, merenda escolar e defesa. A embaixadora Marie Gnama Bassene destacou o papel do Senegal na promoção da paz e segurança na região.
O Brasil recentemente assumiu a liderança da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, aliança com mais de 20 países voltada para a manutenção do Atlântico Sul livre de guerras e tensões. A parceria entre Brasil e Senegal é descrita como forte e duradoura, com visões convergentes em questões internacionais.
