Terminam na próxima sexta-feira (8) as inscrições para a Olimpíada Brasileira de Africanidades e Povos Originários (Obapo), que visa reconhecer a inserção do letramento étnico-racial em escolas públicas e particulares. Podem participar estudantes do 2º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.
As duas primeiras edições da competição, realizadas no ano passado, mobilizaram mais de 33 mil alunos de todo o país. O volume triplicou em 2026, ultrapassando 100 mil participantes.
De acordo com as regras do edital, tanto escolas quanto estudantes em participação individual, acompanhados de um responsável com 21 anos ou mais, podem se inscrever pelo site da Obapo. Na modalidade ‘Escola’, a quantidade de alunos é ilimitada. Alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) também são aceitos, realizando provas de acordo com a série que cursam.
A dois dias do encerramento do prazo, os valores de inscrição são de R$ 440 para escolas da rede pública e R$ 880 para as privadas. A taxa para estudantes com participação individual é de R$ 65.
Os participantes mais novos ou das séries iniciais testam conhecimentos sobre assuntos como brincadeiras e expressões artísticas indígenas, afrobrasileiras e africanas, além de modos de vida dos povos originários. Já os mais velhos ou de séries mais avançadas devem assimilar temas como o perfil étnico-racial da população brasileira, segregação étnico-racial, racismo ambiental, preconceito linguístico, entre outros.
As provas em todas as escolas seguirão o mesmo cronograma, devendo ser aplicadas no período de 13 a 29 de maio, exclusivamente pela internet, com supervisão de funcionário da escola. A organização da Obapo permitirá aplicação presencial, em versão impressa, apenas em casos especiais, mediante consulta.
Segundo a coordenadora pedagógica da Obapo, Érica Rodrigues, 70% das inscrições são provenientes de escolas públicas, com uma proporção equilibrada entre municipais e estaduais. Institutos federais também representam uma parcela significativa.
A região Nordeste do Brasil é a mais presente na olimpíada, seguida pelo Sudeste. Todas as unidades federativas se engajaram no projeto, exceto o Acre. O sucesso da olimpíada garante parcerias com secretarias municipais de educação, como a de Oeiras, no Piauí, onde todas as escolas participaram das edições anteriores.
Érica Rodrigues comemora a animação de crianças e adolescentes indígenas e quilombolas, destacando o orgulho e a sensação de pertencimento ao se envolverem no projeto. ‘É uma honra estar nesses territórios, abordar esses temas e perceber que esses alunos reconhecem dentro da Obapo sua própria identidade’, afirma.
Especialistas têm preparado recursos para educadores interessados em referências que promovam conhecimentos contra-hegemônicos e que desafiem a branquitude. Lançada em novembro de 2024, uma publicação trata de uma educação integral e antirracista no ensino fundamental.
Além de despertar interesse pelos temas, o projeto permite enfrentar coletivamente as desigualdades constatadas na educação, campo que define os rumos da vida de qualquer pessoa. Mais informações, incluindo a indicação de livros e outros materiais, estão disponíveis no site da Obapo.
