Crise no cinema argentino: redução de investimentos afeta produções autorais

O cinema argentino enfrenta uma das maiores crises de sua história devido ao esvaziamento do investimento público, impactando severamente o ‘cinema de autor’, que abrange filmes autorais, críticos e documentários. A análise é do presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas da Argentina, Hernán Findling, que discutiu a situação durante a cerimônia dos Prêmios Platino, em Cancún, no México.

Findling destacou que a crise no audiovisual argentino resulta do desmonte do sistema de fomento, anteriormente apoiado pelo Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais (INCAA). Ele atribui essa mudança ao governo do ultradireitista Javier Milei, que cortou subsídios e apoios, reduzindo drasticamente a produção de filmes no país.

O presidente da academia explicou que o desmonte prejudicou o cinema cultural e crítico, que não possui apelo comercial. Atualmente, a maioria das produções são conteúdos comerciais para plataformas de streaming, como Netflix, Amazon e Disney, ou para poucas produtoras que ainda conseguem se manter.

Findling reconhece a importância das plataformas neste momento de desinvestimento, mas ressalta que o modelo não é sustentável a longo prazo. Ele observa que os direitos autorais das produções passam para as empresas, limitando a circulação na economia local.

O professor Santiago Marino, da Universidade de Santo André, em Buenos Aires, alertou sobre o poder das plataformas de controlar o audiovisual, decidindo quais obras serão disponibilizadas nos catálogos.

Findling e outros representantes do audiovisual acreditam que o estrangulamento do setor faz parte de uma disputa ideológica promovida pelo governo argentino. Eles argumentam que a cultura está sendo vista como oposição política, enquanto o cinema é uma importante fonte de trabalho e economia.

Apesar da crise, o cinema argentino continua recebendo reconhecimento internacional. No Prêmio Platino, a série de TV ‘O Eternauta’ foi premiada em várias categorias, e o ator Guillermo Francella recebeu um troféu pelo conjunto da obra.

Com o fim do apoio estatal, os cineastas argentinos estão buscando coproduções internacionais, especialmente com países da América Latina, como uma alternativa viável para continuar produzindo e exibindo seus filmes.

Findling relatou que a Academia de Cinema da Argentina está desempenhando um papel mais ativo, negociando espaços junto a embaixadas e festivais internacionais. A próxima parceria planejada é com o Festival de Cinema de Rotterdam, na Holanda, em 2027.

Fonte: Agência Brasil

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