No palco, o ator Déo Garcez, interpretando o advogado e jornalista Luiz Gama, declara ao público: “A liberdade e a igualdade não são privilégios, mas direitos de qualquer pessoa”. As palavras ganham força quando repetidas pela plateia no Teatro dos Bancários, em Brasília.
Na semana em que se completaram 138 anos da abolição oficial da escravatura, uma encenação e um debate trouxeram à tona o legado de Gama e sua relevância contemporânea. A arte teatral, segundo Garcez, promove conhecimento e transformação, estimulando reflexões contra o preconceito que ainda persiste no país.
O sociólogo Jessé Souza, presente no evento, destacou que a escravidão persiste nos símbolos e ideias. Ele ressaltou que o ideário de Gama é uma arma contra a escravidão moderna, afirmando que o racismo é uma característica enraizada no Brasil.
Pesquisadores apontam que Luiz Gama, atuando na área jurídica e na imprensa, é considerado um patrono da abolição brasileira. Sua trajetória é vista como um caminho de luta que ainda inspira ações práticas contra o racismo.
O legado de Gama está em processo de reconhecimento pela Unesco, que avalia a inclusão de seus manuscritos no Patrimônio Documental da Humanidade. O acervo inclui cartas de emancipação e documentos judiciais, com os quais ele libertou mais de 500 escravizados.
O espetáculo recorda episódios históricos, como o caso em Santos, onde Gama libertou 130 escravizados baseando-se no testamento de um senhor de engenho. Gama via os jornais como ferramentas de protesto e denúncia contra injustiças.
O pesquisador Artur Antônio dos Santos Araújo destacou que Gama usou o sistema jurídico da época como instrumento de libertação. Ele critica a narrativa oficial do 13 de maio, enfatizando a luta coletiva e política dos negros na conquista da abolição.
Para Déo Garcez, a história de Luiz Gama dignifica sua existência como artista e cidadão negro. Ele defende que todos, independentemente da cor da pele, devem lutar contra injustiças, reconhecendo a herança africana presente na cultura brasileira.
Garcez compartilha que interpretar Luiz Gama é um processo de conscientização, lembrando que antes não tinha uma educação antirracista. Ele destaca que o conhecimento libertou Gama e continua a conscientizar as pessoas hoje.
