Ministério da Fazenda revisa projeção de inflação para 4,5% em 2023

O Ministério da Fazenda elevou de 3,7% para 4,5% a projeção de inflação para este ano, atingindo o limite máximo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A revisão foi divulgada no Boletim Macrofiscal pela Secretaria de Política Econômica (SPE) e reflete os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo.

A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 2,3% neste ano e em 2,6% para 2027. O documento orienta a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para ser enviado ao Congresso na sexta-feira, que guia a execução do Orçamento federal.

Segundo a equipe econômica, a principal pressão veio da disparada do petróleo no mercado internacional, que ultrapassou os US$ 110 por barril. A Secretaria de Política Econômica informou que a perspectiva de maior inflação reflete desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados.

O governo afirmou que parte desse impacto deverá ser amenizada pela valorização do real e por medidas adotadas para reduzir o repasse dos combustíveis ao consumidor. Com a revisão, a projeção oficial ficou exatamente no teto do sistema de metas contínuas de inflação, que estabelece centro de 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Para 2027, a estimativa de inflação também foi elevada, passando de 3% para 3,5%. Apesar da deterioração do cenário inflacionário, o Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a projeção de crescimento econômico para este ano e em 2,6% para 2027.

A equipe econômica projeta que o ritmo da atividade deverá desacelerar nos próximos trimestres devido aos efeitos da política monetária restritiva, mas com retomada gradual no fim do ano. O governo prevê desaceleração mais forte nos segundo e terceiro trimestres, seguida de recuperação parcial da indústria.

As estimativas do governo são mais otimistas do que as do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus do Banco Central, os analistas projetam inflação de 4,92% neste ano e crescimento econômico de 1,85%.

A alta do petróleo também deverá reforçar as receitas do governo federal. A Secretaria de Política Econômica calcula que o choque nos preços da commodity pode elevar a arrecadação em cerca de R$ 8,5 bilhões por mês, considerando receitas de royalties, dividendos, IRPJ, CSLL e Imposto de Exportação ligados ao setor petrolífero.

Fonte: Agência Brasil

Leia mais